Sífilis: Seminário capacita municípios de BH contra surto da doença
Publicada em 18 de junho, 2026.
Atualizada em 19 de junho, às 12:30.

Aumento de casos de sífilis preocupa e o poder público corre para armar os profissionais de saúde com mais conhecimento. Foi nesse clima que aconteceu o I Seminário Estadual Itinerante de Enfrentamento às Sífilis, reunindo gente da Atenção Primária e da Vigilância Epidemiológica de 39 municípios da Regional de Saúde de Belo Horizonte.
O evento, promovido pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), serviu como uma verdadeira aula para médicos, enfermeiros e outros especialistas sobre como prevenir e combater a sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Aconteceu na última segunda-feira, 15 de junho.
"A gente precisa discutir a sífilis com força total, porque os números estão crescendo muito rápido. É hora de compartilhar o que funciona e pensar em novas ações", disse Mayara Cristina Marques de Almeida, coordenadora de ISTs e AIDS da SES-MG. E os números realmente mostram a urgência: entre 2020 e 2024, Minas Gerais registrou quase 100 mil casos de sífilis adquirida, mais de 30 mil em gestantes e mais de 10 mil casos congênitos (passados de mãe para filho).
Na Grande BH, a situação é parecida. A maioria dos casos adquiridos é em homens (65,9%) e a média de idade dos infectados é de 34,4 anos, com o pico entre 23 e 42 anos. A maior parte mora na cidade (89,9%).
O objetivo de zerar a transmissão da sífilis de mãe para filho é uma meta mundial e brasileira. Por isso, o seminário focou em como usar testes rápidos para diagnósticos mais ágeis, o tratamento correto e o controle geral das ISTs.
Igor Francisco Chagas, farmacêutico da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), explicou que o seminário é um giro pelo estado para capacitar todo mundo. "Queremos mostrar os dados, o que fazer na prática e aprender com outras cidades para que todos entendam a gravidade e a importância de combater a sífilis", comentou.
Marlene Perpétuo Socorro de Queiroz, assistente social em São José da Lapa, sente isso na pele no dia a dia. "Percebemos um aumento enorme de sífilis entre os jovens. Precisamos falar mais sobre prevenção, sobre os riscos de não tratar, principalmente com as mulheres grávidas e após a gravidez", alertou.
O que é a sífilis
A sífilis é causada por uma bactéria e, se não tratada, pode trazer problemas sérios. O diagnóstico precoce é fundamental e o tratamento é gratuito pelo SUS. A transmissão de mãe para filho (congênita) é um dos maiores focos de atenção.
O que muda na prática
Profissionais de saúde mais bem preparados e com novas estratégias podem agilizar o diagnóstico e o tratamento da sífilis, especialmente entre os jovens e gestantes, ajudando a reduzir os casos e as complicações da doença.
