Política & Gestão

Prevenção de quedas em idosos: cartilha do SUS ensina passos simples

Entre as recomendações estão adequação do ambiente, avaliação da visão e a prática de atividades físicas que melhorem força e equilíbrio

Publicada em 25 de junho, 2026.

Atualizada em 13 de julho, às 06:01.

Prevenção de quedas em idosos: cartilha do SUS ensina passos simples
Ministério da SaúdeMinistério da Saúde

Uma escada irregular ou um tapete fora do lugar costuma virar susto em casa. Na prática, essa atenção faz diferença, porque o Ministério da Saúde lançou uma cartilha para ajudar pessoas idosas a reduzir o risco de quedas com medidas que cabem na rotina.

O material, chamado Prevenção de Quedas em Pessoas Idosas, foi divulgado na semana do Dia Mundial de Prevenção de Quedas (24 de junho). A ideia é aumentar a consciência sobre o problema e incentivar ações simples de prevenção.

A cartilha mira um cenário que cresce rápido: entre 2010 e 2025, o número de idosos no Brasil aumentou 70,7%, chegando a 35,4 milhões, de acordo com o IBGE. O recado aparece com clareza para quem já tem 60 anos ou mais e também para familiares e cuidadores.

Na avaliação da secretária de Atenção Primária do Ministério da Saúde, Ana Luiza Caldas, com o tempo podem surgir mudanças no equilíbrio, problemas de visão e outros fatores que afetam a funcionalidade. Ou seja: não é só “um tropeço”, é um conjunto de condições que pode ser trabalhado.

Para sustentar a prevenção, a cartilha aposta em dois caminhos. Um é o físico: atividades com foco em flexibilidade, equilíbrio e força, além de exercícios voltados para a visão. Os treinos são pré-determinados e podem durar até doze semanas.

O outro caminho é o mental: atividades cognitivas para memória e raciocínio lógico, com jogos que também ajudam na socialização.

Se a conversa fosse um conserto de casa, pense como trocar peças antes de a porta começar a travar. Na saúde, o “antes” aparece nos dados. No ELSI-Brasil, estudo longitudinal financiado pelo Ministério da Saúde e coordenado por Fiocruz Minas e UFMG, 20,9% das pessoas com 60 anos ou mais relataram ter sofrido pelo menos uma queda no último ano. A proporção foi maior entre mulheres (24,9%) do que entre homens (15,7%). Entre quem caiu, 39% tiveram duas ou mais ocorrências, 34,3% buscaram atendimento em saúde e 3% relataram fratura de quadril ou fêmur.

O que muda na prática

O foco é tratar queda como um problema frequente e agir cedo. As UBS podem apoiar esse processo ao identificar fatores de risco, orientar práticas seguras de atividades físicas, revisar medicamentos e recomendar adaptações no ambiente para deixá-lo mais seguro.

Isso conversa com iniciativas já citadas pelo Ministério da Saúde no SUS, como o Padi Brasil, o Programa Academia da Saúde (PAS), as equipes de Saúde da Família (eSF) e as equipes multiprofissionais (eMulti).

  • Público-alvo: pessoas com 60 anos ou mais
  • Eixo principal: força e equilíbrio, com atividades para visão
  • Tempo sugerido: até 12 semanas
  • Onde encaixa: orientação na atenção primária e ajustes no ambiente

No fim, é uma espécie de checklist do cotidiano para família e cuidadores aplicarem no ritmo possível, com objetivo claro: reduzir o risco de quedas e manter a autonomia para continuar fazendo o que importa — do “e daí pra mim?” direto para o “segue”.

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