Saúde LGBTQIA+ em Minas avança com verba de R$ 25 milhões e nome social
Publicada em 17 de junho, 2026.
Atualizada em 24 de agosto, às 18:00.
Ir ao posto de saúde deveria ser tão natural quanto aceitar aquele cafezinho passado na hora na cozinha de um amigo: um momento de acolhimento, sem espaço para cara feia ou julgamento. Na prática, a população LGBTQIA+ enfrentava barreiras históricas para conseguir esse cuidado básico no Sistema Único de Saúde (SUS).
Para mudar esse cenário, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) aproveita o Mês do Orgulho para reforçar as ações que facilitam o acesso dessa população aos serviços médicos.
De acordo com Walkíria La Roche, diretora de Políticas de Diversidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), o direito ao uso do nome social transformou a relação desse público com os consultórios. Ela explica que, ao receber respeito, essa população passou a frequentar ambientes de saúde que antes simplesmente evitava por medo de passar por situações desconfortáveis.
Essa mudança exige preparo e estrutura. É como arrumar a casa para receber bem as visitas: exige planejamento, regras claras e investimento. A base para essa acolhida começou com a Política Nacional de Saúde Integral LGBT, criada em 2011. Em solo mineiro, o Comitê Estadual de Saúde Integral da População LGBT atua desde 2016 e ajudou a desenhar a política estadual em 2020. Para manter as engrenagens funcionando, o grupo monitora os resultados em reuniões a cada três meses.
Em 2022, o Governo de Minas investiu cerca de R$ 25 milhões para expandir essa política de respeito pelo estado. O governo enviou a verba para apoiar os municípios e capacitar as equipes de Saúde da Família. Afinal, não adianta ter uma boa intenção se quem serve o cafezinho não sabe receber o visitante.
O que muda na prática
O acesso começa na Atenção Primária (a porta de entrada do SUS, que são as Unidades Básicas de Saúde), onde as equipes acolhem e acompanham o paciente.
- Nome social: Garantia de uso do nome de preferência para pessoas travestis e transexuais nos atendimentos.
- Identidade respeitada: Cuidado focado na orientação sexual e gênero de cada usuário, livre de preconceitos.
- Acompanhamento: Encaminhamento seguro para outros serviços da rede pública de saúde quando necessário.
No fim das contas, a saúde pública funciona melhor quando todos se sentem seguros para buscar ajuda. Garantir um atendimento digno e humanizado é o caminho definitivo para que ninguém fique de fora da mesa de cuidados.

