Alto risco no recém-nascido: ambulatório faz São João para aliviar espera
Publicada em 19 de junho, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.
No cuidado de recém-nascidos de alto risco, a parte difícil costuma ser a mesma de sempre: esperar na fila, com ansiedade em alta e a cabeça cheia. Nesta terça-feira, 16, o Ambulatório de Seguimento do Recém-Nascido de Alto Risco Maria Creuza de Brito Figueiredo, ligado à Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), trocou a rotina de espera por uma confraternização junina para crianças e acompanhantes.
A ideia foi simples e cuidadosa: transformar o tempo ocioso em convivência. Teve comidas típicas, brincadeiras e a presença da trupe dos Palhaços de Propósito, para criar integração entre mães, pais e avós que acompanham o tratamento e também entre os bebês.
Pensa no São João como aquela panela no fogão que começa a perfumar a casa inteira. O tratamento segue, mas o ambiente muda, e a sensação de estar junto ajuda a atravessar o dia.
O ambulatório funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, e atende uma média de 60 crianças por dia. Entre janeiro e maio deste ano, foram 6.756 atendimentos. No acompanhamento, há especialistas como geneticista, pediatras, neonatologistas, cardiologistas, oftalmologistas, cirurgiões, além de enfermeiros e fisioterapeutas, entre outros.
O que muda na prática
- Acolhimento no dia a dia: a unidade tenta tornar a espera mais leve para mães, acompanhantes e crianças
- Integração entre famílias: brincadeiras e comidas típicas aproximam quem divide a rotina do cuidado
- Continuidade do acompanhamento: pacientes seguem com suporte de equipes diferentes após a alta, e a ação reforça o vínculo
- Bem-estar durante a espera: mães relatam que momentos assim deixam a carga mais “respirável” em meio ao período tenso
A gerente do ambulatório, Glória Barros, explicou que a escolha do São João conversa com o contexto regional e com a proposta de levar alegria a quem está em acompanhamento. Para ela, esses encontros ajudam tanto na integração quanto no conforto das famílias.
Stefany Farias, 23 anos, mãe de Mateo, 2 anos, contou que o filho nasceu com artrogripose múltipla congênita, malformação rara que atinge membros superiores e inferiores. Depois da alta da MNSL, ele continuou o seguimento no ambulatório com geneticista, pediatra e fisioterapeutas.
Luana Nunes, mãe de Maria Rita, 8 meses, disse que a filha nasceu prematura de 31 semanas e ficou 24 dias na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) e 20 dias na Ala Canguru. Ela afirmou que o histórico aumenta a tensão do cotidiano e que festas como essa ajudam a carregar o dia com mais leveza.
Ou seja: no alto risco, o cuidado não é só consulta e exame. Também é o clima em que a espera acontece para dar conta do que vem depois.

