Feira de Cordel em João Pessoa: música e tradição movimentam o Busto de Tamandaré
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 19 de julho, às 12:00.

Uma programação de cordel em plena sexta-feira, em João Pessoa, vira ponto de encontro para quem quer ver a cultura nordestina de perto, com arte e música ocupando o Busto de Tamandaré. O motivo é a Feira de Cordel, promovida pela Prefeitura, por meio da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), em parceria com o Coletivo Palmas.
A feira começou nesta sexta-feira (29) e continua neste sábado (30). Depois, volta a acontecer nos dias 5 e 6 de junho, sempre a partir das 17h, com exposição de cordéis e xilogravuras, apresentações de cordelistas, artesanato e forró pé de serra.
Pensa na feira como uma grande “biblioteca viva” do Nordeste: você chega pelo ritmo do forró, folheia a história no cordel e, quando vê, sai com o mesmo sentimento de quem encontrou uma memória antiga bem guardada. É nesse caminho que a programação se organiza, misturando o que se vê com o que se ouve.
A abertura teve a participação dos cordelistas Assis Freitas e Chico Mulungu, que apresentaram ao público a riqueza da literatura de cordel. Para animar a noite, o trio Porta do Sol levou clássicos da música nordestina.
O diretor executivo da Funjope, Marcus Alves, disse que a valorização das culturas populares é uma política permanente da gestão municipal. Ele citou ações já realizadas ao longo dos últimos anos, com a presença de cordelistas, repentistas e trios pé de serra em eventos como São João, Festa das Neves e Natal, com foco em valorizar o artista local e fortalecer a diversidade cultural.
Entre os visitantes, a costureira Misterlânia Santos de Lima ressaltou a importância do cordel para contar histórias do Nordeste. Ela aproveitou a feira para comprar cordéis sobre Lampião, Ariano Suassuna e homenagens à Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
O cordelista Robson Jampa destacou que manter viva a tradição do cordel é um ato de resistência cultural. Segundo ele, o cordel é “genuinamente paraibano” e criado por um paraibano no século XIX, com a continuidade da tradição nos dias de hoje. Ele também apontou a existência de poucos espaços para comercialização e apresentação do trabalho.
O que muda na prática
Para quem frequenta a feira ou leva a família, o evento vira uma forma direta de acesso à cultura regional, com espaço para cordéis, xilogravuras e também expressões como artesanato e cutelaria.
- Público: visitantes e compradores de literatura de cordel e artesanato
- Programação: cordelistas, apresentações musicais e forró pé de serra
- Oferta cultural: xilogravuras, artesanato e cutelaria ligados à identidade regional
- Impacto: valoriza o artista local e amplia visibilidade do trabalho de cordelistas
O também cordelista Chico Mulungu apresentou cordeis, o livro de sua autoria ‘Transbordando Poesia’ e cordel em forma de chaveiro, comentando que eventos como este dão visibilidade.
No sábado (30), a feira segue com apresentações dos cordelistas Robson Jampa e Dalva Mendonça, integrantes do Coletivo Palmas, além do grupo Tamborete de Forró, comandado pelo músico Preto Guarabira. O repertório inclui músicas da memória afetiva nordestina, com sucessos de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca e Jackson do Pandeiro. E daí pra mim, que passo por ali: é só chegar às 17h e deixar o cordel contar a história sem pressa, do jeito que a cultura sabe fazer.
