Tratar depressão na gravidez beneficia cérebro do bebê, diz estudo
Publicada em 25/10/2026, às 21:00

Tratar a depressão de mulheres durante a gravidez não traz benefícios apenas para a saúde da mãe: a medida também impacta positivamente o desenvolvimento do cérebro do bebê ainda antes do nascimento. É o que revela um estudo publicado na revista científica Nature Communications, que acompanhou 234 gestantes e seus filhos.
A depressão atinge até 1 em cada 5 mulheres no período de gestação e aumenta os riscos de complicações sérias, como hipertensão arterial e parto prematuro, além de favorecer o surgimento de transtornos mentais nas crianças no futuro.
Como o tratamento ajudou as mães?
Na pesquisa, metade das gestantes passou por um programa breve de terapia chamado MOMCare, composto por oito sessões focadas na criação de redes de apoio e no manejo do estresse. A outra metade recebeu apenas orientações padrão de saúde mental. Ambos os grupos continuaram com o acompanhamento médico normal.
O resultado foi expressivo: 36% das mães que iniciaram o estudo com diagnóstico de depressão deixaram de apresentar a doença após o ciclo de terapia, contra apenas 6% no grupo que recebeu apenas orientações. As mulheres tratadas também tiveram mais chances de levar a gravidez até o final do tempo correto (39 a 40 semanas).
Impacto direto no cérebro do bebê
A grande novidade da pesquisa foi analisar os bebês poucas semanas após o nascimento, por meio de exames de imagem do cérebro. Os pesquisadores observaram uma diferença no hipocampo — região responsável pela memória, pelo aprendizado e pelo controle das emoções.
Os bebês das mães que fizeram a terapia nasceram com essa estrutura em um tamanho 5% menor em comparação aos outros bebês. Embora pareça estranho, os cientistas esclarecem que um crescimento rápido demais do cérebro nos primeiros meses costuma ser provocado pelo estresse que a mãe passa para o bebê durante a gestação.
Aos seis meses de vida, os bebês passaram por testes para avaliar suas reações emocionais diante de situações desconhecidas (como o contato com brinquedos barulhentos):
As crianças cujas mães fizeram o tratamento de depressão reagiram de forma muito mais calma e equilibrada;
Bebês com melhor controle emocional nos primeiros meses de vida têm menor risco de desenvolver ansiedade e depressão na adolescência.
Cuidado com duas gerações
Os pesquisadores destacam que a gravidez é uma oportunidade única para cuidar da saúde mental, pois as mulheres estão em contato frequente com médicos e postos de saúde durante o pré-natal. Garantir o apoio psicológico durante esse período protege a mãe e garante um desenvolvimento mais saudável para a criança.
