Copa da Superação no hospital: futebol para aliviar internação infantil
Publicada em 26 de junho, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.
Ficar internado na Pediatria costuma significar trocar brincadeira por rotina de exames e avisos, e isso faz diferença no humor e no dia. No Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), em Belém, a equipe puxou um fio diferente e levou o futebol para dentro da ala com a “Craques do Coração: Copa da Superação”, com atividades para as crianças atendidas no setor nos dias 24 e 25.
Na prática, a ideia é usar o jogo como ponto de encontro. Em vez de o tempo ficar girando apenas em torno do quadro clínico, a criança entra em momentos de brincar inspirados em experiências da infância. O foco é acolher, ajudar na expressão de sentimentos e fortalecer a autoestima durante o tratamento.
Pensa como quando a gente está numa fila longa: você segue com o que precisa, mas um detalhe que ocupa a cabeça muda o peso do dia. No hospital, esse “detalhe” vira brincadeira e conversa guiadas para a criança se perceber para além do diagnóstico.
A psicóloga da pediatria, Wenna Dias, explicou que a proposta resgata vivências da infância e ajuda a criança a se enxergar além do que a doença diz.
O que acontece na programação
As atividades incluem jogo de botão, pintura das bandeiras dos países e dinâmicas com temas ligados a coragem e iniciativa, como “Chute ao Gol da Coragem” e “Passe da Coragem”. Também houve desenho de conquistas pessoais e a “Entrevista do Craque”, em que as crianças falaram sobre desejos, experiências e sentimentos.
Para dar certo no ambiente hospitalar, tudo foi ajustado às condições clínicas. O brinquedista Laurel de Moraes Filho disse que a construção foi coletiva com profissionais da psicologia, do serviço social e do voluntariado, para evitar formatos que não encaixam na internação.
- Participação: atividades pensadas para serem feitas sentadas, com “bolinha leve”
- Acolhimento: espaço para ressignificar o internamento e ir além do diagnóstico
- Famílias: acompanhantes entram na dinâmica, com ações ao lado das crianças
- Objetivo emocional: fortalecer experiências da infância e o sentimento de pertencimento
E o efeito é visível na vida real
A assistente social Celice Martins relatou que os acompanhantes demonstraram interesse em participar, inclusive com sugestões de levar itens ligados ao Brasil. Para ela, incluir familiares ajuda no acolhimento e abre espaço para crianças e responsáveis expressarem expectativas sobre o cuidado.
Na rotina, quem acompanha também percebe a diferença. A mãe Jéssica Antônia Pedroso da Silva, responsável pela filha Valentina, de 10 meses, que aguarda cirurgia cardíaca, disse que a atividade distrai e alivia o estresse de estar no hospital. Já o agricultor Rian de Castro Andrade, que acompanha a filha Celine, também de 10 meses, com cirurgia marcada para o dia seguinte, contou que a iniciativa ajuda a “levar a mente para outro lugar” e traz mais tranquilidade.
Ou seja: nos dias 24 e 25, a “Copa da Superação” não vira um entretenimento solto. Ela cria um jeito mais leve de atravessar o tratamento, lembrando que a criança continua criança enquanto recebe cuidado.

