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Violência sexual no Piauí: serviço gratuito do HEDA acolhe vítimas 24 horas por dia

Atendimento nas primeiras 72 horas é crucial para prevenir gravidez indesejada e infecções em casos de abuso.

Publicada em 28 de maio, 2026.

Atualizada em 3 de setembro, às 04:00.

Violência sexual no Piauí: serviço gratuito do HEDA acolhe vítimas 24 horas por dia
SESAPI

Em um mundo ideal, ninguém precisaria falar sobre abuso. Na prática, o suporte rápido é o que faz a diferença para quem enfrenta esse trauma. Pense nesse serviço como aquela rede de segurança esticada sob o trapézio de um circo: ninguém quer ver um acidente acontecer, mas saber que a rede está lá, pronta para segurar a queda, traz o amparo necessário na hora do desespero.

No litoral do Piauí, esse papel de proteção é do SAVVIS (Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual), que funciona no HEDA (Hospital Estadual Dirceu Arcoverde), em Parnaíba. O serviço, gerido pelo ISAC (Instituto Saúde e Cidadania), registrou 61 atendimentos entre 1º de janeiro e 21 de maio de 2026.

A unidade oferece suporte gratuito, sigiloso e funciona 24 horas por dia. O fluxo de denúncias costuma crescer neste período por conta das ações do Maio Laranja, campanha que estimula vítimas e testemunhas a quebrarem o silêncio.

A corrida contra o tempo

O tempo é um fator determinante para a saúde da vítima após uma agressão. A coordenadora do serviço, Virginia Matos, explica que existe uma janela de apenas 72 horas para que a equipe médica realize os protocolos de profilaxia (procedimentos preventivos contra doenças ou complicações).

Ou seja, esse é o prazo limite para a prevenção de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) e gravidez decorrente da violência. Além do atendimento de urgência, o hospital realiza a escuta especializada (entrevista acolhedora feita por assistentes sociais e psicólogos para evitar que a vítima precise repetir seu relato em múltiplos órgãos).

O que muda na prática

A existência de uma estrutura integrada no hospital garante que a pessoa agredida receba acolhimento de saúde e encaminhamento legal em um único local, reduzindo os danos do trauma. A rede de apoio funciona de forma articulada:

  • Equipe Multiprofissional: O suporte reúne assistentes sociais, enfermeiras, farmacêuticos, médicos, nutricionistas, psicólogos e técnicas de enfermagem.
  • Proteção Legal: Atuação conjunta com o Conselho Tutelar e o NEV (Núcleo de Enfrentamento à Violência).
  • Policial e Científica: Parceria com o IML (Instituto Médico Legal) e o GAECIM (Grupo de Apoio e Enfrentamento à Criminalidade).

O serviço existe desde 2012 e busca ativamente quebrar barreiras que impedem a denúncia. A diretora-geral do HEDA, Wal França, reforça que conscientizar a população ajuda a tirar o tema da invisibilidade, rompendo ciclos de abuso que muitas vezes se repetem por anos de forma silenciosa.

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