Endometriose: por que o diagnóstico da doença que afeta milhões ainda é desafio
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 29 de agosto, às 10:00.

A endometriose (condição inflamatória crônica que compromete a qualidade de vida) atinge cerca de 8 milhões de mulheres no Brasil. Para muitas delas, a rotina é interrompida por dores intensas e pela dificuldade de conseguir o tratamento correto.
Na prática, cuidar dessa condição funciona como resolver uma infiltração oculta na parede de casa. O conserto definitivo exige identificar a origem exata do vazamento, reparar a tubulação e refazer o acabamento. No corpo feminino, essa força-tarefa também não se resolve com uma única frente: demanda médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos trabalhando em conjunto.
Esse cuidado integrado foi o tema central do I Workshop sobre Endometriose, promovido pelo Hospital da Mulher do Pará (HMPA) nesta quarta-feira (28), em Belém. O encontro reuniu especialistas, residentes de medicina e pacientes para discutir avanços assistenciais e formas de agilizar o atendimento na rede pública.
O que muda na prática
Para quem precisa de atendimento especializado no estado, o fluxo de acolhimento no HMPA foi estruturado em etapas integradas:
- Porta de entrada: O atendimento começa com a avaliação clínica inicial no ambulatório de Ginecologia Geral da unidade.
- Encaminhamento: O acesso das pacientes ao hospital ocorre por meio do Sistema de Regulação Estadual.
- Investigação: A equipe realiza exames laboratoriais e de imagem focados em diagnosticar a doença.
- Acompanhamento: Após a confirmação, a paciente inicia o tratamento cirúrgico, clínico e multiprofissional na própria instituição.
A coordenadora do Serviço de Ginecologia do hospital, Karina Monteiro, aponta que a falta de diagnóstico precoce causa dor crônica, infertilidade e afasta as mulheres do trabalho e dos estudos. Ela reforça que, embora a unidade ofereça cirurgias e exames especializados, capacitar mais profissionais na rede de saúde ainda é o grande gargalo para acelerar a identificação da doença.
A fisioterapia tem papel decisivo para aliviar esses impactos. Segundo a fisioterapeuta Natália Matos, a dor constante faz com que as pacientes desenvolvam uma forte tensão no assoalho pélvico (grupo de músculos que sustenta os órgãos da bacia), o que pode resultar em problemas funcionais como a incontinência urinária.
O ponto-chave, como resume a diretora-geral do HMPA, Nelma Machado, é que o debate fortalece as políticas públicas de saúde e garante um tratamento humanizado, centrado nas necessidades individuais de cada mulher.
