Orgulho autista no Pará: CIIR transforma painel em protagonismo diário
Publicada em 19 de junho, 2026.
Atualizada em 17 de julho, às 14:00.

No dia a dia de quem convive com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), respeito à identidade costuma ser o que faz a diferença. Em Belém, o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) puxou o assunto do Dia do Orgulho Autista, lembrado em 18 de junho, e levou isso para dentro de atividades que valorizam autonomia, neurodiversidade e participação dos próprios usuários.
Pensa em um “mosaico” bem brasileiro: cada pedacinho tem uma cor e um significado, e é isso que deixa a imagem completa. Foi assim que o painel do CIIR ganhou forma, com desenhos, palavras, colagens e mensagens feitos por usuários do Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cetea) e do Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista (Natea). O objetivo foi além do simbólico: criar um espaço de expressão e pertencimento.
O que as equipes dizem que está em jogo
A coordenadora assistencial do Cetea, Sâmilly Batista, explica que discutir a data dentro de um serviço especializado amplia o olhar sobre pessoas com TEA e contribui para reduzir estigmas. Na prática, as ações também procuram fortalecer o protagonismo e a dignidade, ajudando os usuários a participar ativamente da própria trajetória.
Ela detalha que o trabalho das equipes vai além das intervenções terapêuticas. A ideia é estimular habilidades que favoreçam independência e vida social, com foco em habilidades de vida diária, comunicação funcional (comunicação pensada para o cotidiano), socialização e mais autonomia nas atividades.
Ou seja, a rotina do serviço é organizada para que as pessoas tenham oportunidades reais de fazer escolhas, expressar preferências e participar de forma significativa do processo terapêutico.
- Protagonismo: oportunidades reais de escolhas e expressão de preferências
- Autonomia: desenvolvimento de habilidades de vida diária
- Comunicação: foco em comunicação funcional para o cotidiano
- Participação social: estímulo à socialização e independência
Histórias que viram resultado
No Natea, Felipe Pinheiro Modesto, de 21 anos, associa o orgulho autista ao que faz com criatividade: ele produz artesanato, confeccionando anéis e pulseiras. “Quando faço as coisas de que gosto, me sinto tranquilo, calmo, feliz e bem comigo mesmo”, conta.
Já Jonathan Vinícios Pinheiro Moraes, de 25 anos, diz gostar de aprender coisas novas. Apaixonado por Química, ele relata pesquisas e vídeos sobre língua japonesa na internet e também a habilidade de consertar equipamentos eletrônicos observando o trabalho de outras pessoas. Para ele, autistas podem estudar, aprender e trabalhar, porque cada pessoa tem suas habilidades.
Aos 27 anos, Lennox Jean de Almeida Trindade fala do orgulho no cotidiano e na possibilidade de ajudar quem ama. E Lorrany Moraes Gonçalves, de 19 anos, compartilha o desejo de concluir os estudos e ingressar no mercado de trabalho, destacando que respeito e compreensão ajudam a construir uma sociedade mais inclusiva.
O ponto-chave é simples: esse painel coletivo reforça que pessoas com autismo têm identidade, potencial, voz e direito à participação. E, no fim, a pergunta que fica é direta: e daí pra quem busca reconhecimento todos os dias? O CIIR está oferecendo um caminho de protagonismo, dentro do que a própria comunidade consegue expressar.
