Portal da Classe Política usa 2,8 milhões de candidaturas em gráficos grátis

Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) lançaram o Portal da Classe Política, uma plataforma digital brasileira que transforma dados eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em informação visual e interativa pra qualquer cidadão mexer.
O projeto consolida 2,8 milhões de candidaturas registradas entre 1998 e 2024. Na prática, dá pra:
- descobrir o patrimônio declarado de um deputado
- ver em quais municípios um senador recebeu mais votos
- comparar a evolução da participação feminina nas eleições nas últimas décadas
Pra chegar nisso, foi preciso processar 47 planilhas oficiais do TSE, somando 8 gigabytes de dados brutos.
O professor Nilton Sainz, coordenador do projeto, resume a treta: os dados até existiam como públicos, mas ficaram tecnicamente inacessíveis pra 99% dos brasileiros, porque estavam “em milhões de linhas fragmentadas” que só especialistas conseguiam organizar. Agora, a ideia é deixar jornalista, pesquisador e cidadão fiscalizador usando a mesma base, do jeito mais simples possível.
O portal oferece três tipos de análise, tudo gratuito e sem necessidade de cadastro:
1) Perfil Individual dos Candidatos Você digita o nome e acessa o histórico completo, com todas as eleições desde 1998, evolução patrimonial, cargos conquistados e um mapa interativo mostrando onde a pessoa recebeu mais votos. O sistema já identificou 1,8 milhão de pessoas únicas que disputaram eleições no período.
2) Indicadores Científicos Automatizados São 12 métricas que pesquisadores usam em gráficos fáceis. Um exemplo é o “Número Efetivo de Partidos”, que ajuda a entender se o Congresso está mais fragmentado ou menos ao longo do tempo.
3) Cruzamentos Personalizados Dá pra comparar candidaturas por gênero, raça, escolaridade, ocupação ou partido em qualquer período. Um exemplo citado: mesmo com a lei de cotas de 30% para candidaturas femininas desde 2009, as mulheres receberam só 12% do total de votos para vereador em 2024.
A plataforma cobre todas as 5.570 cidades brasileiras, com análises que vão de eleições municipais até federais. E, pra não ficar no abstrato, o texto dá um exemplo: ao buscar Hugo Motta, o portal mostra que a votação dele está concentrada em poucos municípios da Paraíba.
Segundo o professor Adriano Codato, coordenador do INCT-ReDem, o objetivo é “transformar fórmulas matemáticas complexas em visualizações” que qualquer pessoa entenda.
O projeto também já deixa o caminho aberto pro futuro: em 2026, assim que o TSE divulgar os resultados, os dados entram automaticamente no sistema. A equipe planeja uma API para outros desenvolvedores criarem apps e um pacote em R para pesquisadores. Há ainda interesse de instituições internacionais em replicar o modelo.
“Por que isso é importante”
- Você passa a fiscalizar políticos com menos esforço: patrimônio, votos e padrões ficam numa tela só, sem depender de planilha.
- Pra imprensa e pesquisa, vira munição mais rápida pra checar declarações e comparar cenários entre eleições.
- Transparência ganha cara de ferramenta de uso diário — e isso pesa num país cansado de desinformação.
