Bem-Estar

Diabetes e amputações: por que o pé diabético vira um problema sério

Síndrome do pé diabético é ligada à maior parte das amputações e exige atenção precoce aos sinais nos pés, mesmo quando parecem pequenos

Publicada em 26 de junho, 2026.

Atualizada em 13 de julho, às 08:01.

Diabetes e amputações: por que o pé diabético vira um problema sério
O diabetes pode provocar disfunções cardiovasculares e neuropatias, originando a síndroma do pé diabético. Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde DFSES Distrito Federal

Se o diabetes já entrou na sua rotina, vale prestar atenção no que acontece com os pés. A síndrome do pé diabético é apontada como a principal causa de amputações no Brasil, e ela mexe com três frentes ao mesmo tempo: a anatomia, a vascularização (fluxo de sangue) e a sensibilidade dos membros inferiores.

Na prática, é como quando a manutenção “para um pedacinho” e o defeito vai crescendo. Se o sangue chega menos aos tecidos e os nervos vão perdendo a percepção, pequenas feridas demoram para cicatrizar e acabam evoluindo para quadros mais graves.

“O diabetes é a principal causa de amputações no Brasil, provocadas pela síndrome do pé diabético, uma complicação crônica da doença”, diz Samaya Antunes Ribeiro, enfermeira do Ambulatório do Pé Diabético do Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão (Cedoh), da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).

O ponto-chave aparece nos dados do Ministério da Saúde: por volta de 85% das amputações de membros inferiores acontecem em pessoas com pé diabético. A síndrome é marcada pelo surgimento de feridas de difícil cicatrização, que podem virar úlceras e infecções mais sérias.

“Em geral, o usuário que chega ao Cedoh já sofreu vários níveis de acometimento. Nos pés, além do comprometimento vascular, também há o comprometimento nervoso”, explica a enfermeira. Segundo ela, o quadro costuma ser gradual: a irrigação piora, ocorrem alterações neurológicas e a pessoa chega a perder a sensibilidade. Muitas vezes, a lesão só é notada quando o dano já avançou.

Um exemplo de começo “discreto” é o ressecamento constante. “O nome disso é ‘xerodermia’ e, nesse caso, significa que já existe um comprometimento das fibras nervosas que estimulam a produção de suor e sebo no pé”, diz Samaya. Com o tempo, podem surgir fissuras e até áreas tão lesionadas que alguns pacientes chegam “praticamente sem andar”.

O que muda na prática

O diagnóstico mais comum entre quem chega com complicações é o do diabetes tipo 2. A enfermeira associa essa condição a fatores como sobrepeso, sedentarismo, alimentação inadequada e hipertensão. Ela também comenta que a doença tende a se desenvolver ao longo de muitos anos.

O impacto prático aqui é direto: quando a sensibilidade protetora vai embora, até um cuidado cotidiano pode virar risco. Há casos de pessoas que fazem escalda-pés em casa e, por não sentirem a temperatura, acabam chegando com queimaduras.

  • Risco: 85% das amputações de membros inferiores ocorrem em quem tem pé diabético
  • Gatilho: feridas de difícil cicatrização evoluem para úlceras e infecções
  • Caminho do agravamento: perda de sensibilidade pode atrasar a percepção da lesão
  • Tratamento: a síndrome é tratada, mas não tem cura, apenas acompanhamento

E daí pra mim? Se você tem diabetes, observar os pés no dia a dia vira prevenção de verdade: o que parece “só um calo” ou “um ressecamento” pode ser o começo de algo que, quando cresce, já é tarde para reverter rápido.

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