Unidades Corujinha: 31 mil atendimentos desde abril e mais acesso no noturno
Publicada em 26 de junho, 2026.
Atualizada em 9 de julho, às 16:00.
Se saúde bate no relógio, o Projeto Unidades Corujinha entra como aquela feira que abre mais cedo e, de quebra, também no fim da tarde: facilita a vida de quem só consegue resolver depois do expediente. Criado para ampliar o acesso da população aos serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) no período noturno, o projeto já contabiliza mais de 31 mil atendimentos e procedimentos realizados (dados parciais) desde a implantação em Palmas, até 31 de maio.
Na prática, a estratégia funciona das 18h à meia-noite em 11 Unidades de Saúde da Família (USFs) distribuídas nas regiões norte, sul e central. Nesse período, são oferecidas consultas médicas, atendimentos de enfermagem e diversos procedimentos para usuários que têm dificuldade de procurar assistência durante o horário comercial.
O ritmo dos resultados aparece nos números que a rede municipal acompanhou. Segundo a diretora de Atenção Primária à Saúde, Luma Garcia, os indicadores mostram crescimento da produção assistencial após a chegada do turno noturno. Depois da implantação em 22/04, os atendimentos noturnos passaram de 11,1% do total em abril (com apenas nove dias de operação) para 26,5% em maio, primeiro mês completo.
O ponto-chave, segundo ela, é o efeito progressivo da adesão da população: com mais gente conseguindo acessar as unidades nesse horário, a rede contribui para reduzir a demanda reprimida.
Luma também aponta que o funcionamento estendido tem beneficiado principalmente trabalhadores e pessoas que antes precisavam recorrer às UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) para situações de menor complexidade, ou que acabavam deixando de buscar atendimento por causa do horário.
Para o médico da Estratégia Saúde da Família na USF Francisco Júnior, Matheus Oliveira, o projeto já permite identificar o perfil predominante de quem procura as Unidades Corujinha no noturno. Parte considerável são trabalhadores que não conseguiam marcar consultas durante o período comercial. Ele relata ainda usuários com agravos de menor complexidade que, em alguns casos, recorriam à automedicação ou evitavam atendimento por causa do tempo de espera em serviços de urgência. Com o horário ampliado, essas pessoas passaram a ter uma alternativa para acompanhamento e orientação profissional.
O que muda na prática
Na avaliação apresentada na matéria, a ampliação do atendimento no período noturno se traduz em mais acolhimento e maior capacidade de resolver demandas na Atenção Primária. O relatório citado aponta redução parcial da demanda reprimida, mais acolhimento e aumento da resolutividade das equipes.
- Público mais atingido: trabalhadores que não conseguiam ir às consultas no horário comercial
- Efeito nos números: participação dos atendimentos noturnos sai de 11,1% para 26,5% (abril para maio)
- Onde antes ia: casos de menor complexidade que acabavam em UPAs
- O que a população pede: manter o acompanhamento no período noturno e elogia o funcionamento de farmácias nas unidades
No fim das contas, é isso que dá o “e daí pra mim?”: quem precisa conciliar saúde com rotina ganha uma porta aberta das 18h à meia-noite, e a rede municipal passa a atender mais gente sem empurrar toda a demanda para o horário comercial.

