Bem-Estar

Doação de sangue e doença falciforme: por que estoques salvam vidas

Transfusões fazem parte do tratamento e ajudam a garantir mais qualidade de vida aos pacientes acompanhados pela unidade

Publicada em 19 de junho, 2026.

Atualizada em 15 de julho, às 22:00.

Quando o assunto é doença falciforme, doação de sangue deixa de ser só “solidariedade” e vira parte do tratamento. Isso porque transfusões entram na rotina de acompanhamento de pacientes que podem precisar desse suporte em diferentes momentos da vida, como explica o Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose).

Na prática, é como manter o estoque de gás do botijão: enquanto tem reserva, você toca a casa com segurança; quando falta, qualquer imprevisto vira dor de cabeça. No caso da anemia falciforme, o ponto-chave é garantir disponibilidade para responder às necessidades que surgem ao longo do acompanhamento.

Celebrado em 19 de junho, o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme chama atenção para uma condição genética e hereditária, marcada por alterações nas hemácias. Em Sergipe, o Hemose, unidade gerida pela Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH), participa da linha estadual de cuidado oferecendo acompanhamento hematológico especializado e suporte transfusional.

Segundo o superintendente e hematologista do Hemose, Richer Mota, a unidade vai desde a confirmação diagnóstica até o apoio com transfusões. Ele lembra que o número de pacientes acompanhados é dinâmico, com novos usuários entrando continuamente na linha de cuidado.

Do pezinho ao acompanhamento, o Hemose aparece no cotidiano de famílias. A dona de casa Jaciara Pereira descobriu a anemia falciforme do filho, Natan, pelo teste do pezinho. A família passou a morar em Sergipe há 4 anos e 6 meses e, desde então, o menino é acompanhado no Hemose, onde já precisou de duas transfusões durante períodos de internação.

“Eu me sinto emocionada e agradecida por cada doador que tira um tempo do seu dia para doar. Saber que uma bolsa de sangue doada está salvando a vida do meu filho é gratificante demais”, disse Jaciara.

Outro relato é o de Antônio Vitor, de 27 anos, acompanhado pelo Hemose há 15 anos. Segundo a mãe, Shirleide Santos de Souza, as transfusões são indispensáveis: quando a hemoglobina baixa, a condição neurológica rara dele piora e ele entra em crises da doença falciforme.

O que muda na prática

  • Público-alvo: pacientes acompanhados na linha de cuidado da doença falciforme
  • Impacto: suporte transfusional para momentos de necessidade ao longo da vida
  • Eficácia (na rotina): acompanhamento especializado para controle da doença e prevenção de crises
  • Caminho: estímulo às doações para manter estoques abastecidos

Para Richer Mota, manter os estoques abastecidos é indispensável. Ele também destaca a orientação e o estímulo à doação junto à população, familiares e amigos dos pacientes, porque esses doadores contribuem diretamente para o tratamento de pessoas que podem precisar de transfusões durante toda a vida.

O ponto de atenção, ainda segundo o hematologista, é ampliar o entendimento da linha de cuidado por profissionais e serviços de saúde do estado. Ele ressalta que a doença afeta também o lado psicológico dos pacientes e das famílias, o que reforça a necessidade de inclusão e combate ao preconceito.

E daí pra mim? Se você pode doar sangue, isso vira uma peça concreta do tratamento de quem vive com doença falciforme: são estoques que ajudam a atravessar crises e a sustentar o cuidado no dia a dia.

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