Política & Gestão

Mortalidade materna em Sergipe: workshop debate ações para humanizar o parto no SUS

Novas diretrizes combatem o racismo obstétrico e reforçam o papel de doulas nas maternidades públicas do estado.

Publicada em 28 de maio, 2026.

Atualizada em 2 de setembro, às 22:01.

Mortalidade materna em Sergipe: workshop debate ações para humanizar o parto no SUS
Saúde

Quando uma mulher descobre que está grávida, começa uma longa jornada repleta de expectativas e cuidados. Para garantir que essa caminhada seja segura e respeitosa do início ao fim, a rede pública de saúde precisa funcionar em perfeita sintonia.

O debate para reduzir os óbitos de gestantes e bebês no estado ganhou força no II workshop sobre boas práticas no atendimento materno. O evento ocorreu em 28 de maio — data que marca o Dia Nacional da Redução da Mortalidade Materna — e foi promovido pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Diretoria de Atenção Especializada à Saúde (Daes).

Imagine esse atendimento como uma corrida de revezamento. O posto de saúde inicia o percurso no pré-natal e precisa passar o bastão sem falhas para a maternidade. Se cada profissional fizer a sua parte no tempo certo, a gestante cruza a linha de chegada com o seu bebê nos braços de forma segura.

Para afinar essa passagem de bastão, o estado reuniu profissionais de saúde para discutir os "10 passos do cuidado obstétrico". O grande destaque desta edição é o "passo zero", que insere o debate sobre racismo e equidade racial (tratamento justo e igualitário para todos) na assistência à gestante, como explicou Kelly Bianca Costa, referência técnica da Rede Materna da Daes.

Na prática, o parto humanizado vai muito além de um conceito bonito. Segundo Neuzice Lima, diretora da Daes, a prática envolve respeitar as escolhas da mulher, garantir seus direitos legais — como o acompanhante de livre escolha e o acesso a doulas (assistentes de parto) — e aplicar procedimentos baseados apenas em evidências científicas.

Em 2025, Sergipe registrou cerca de 29 mil partos, entre normais e cesarianas, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A estrutura do estado conta com:

  • Maternidades de risco habitual: 9 unidades destinadas a gestações sem complicações graves
  • Maternidade de alto risco: 1 unidade, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes
  • Referência em parto normal: A maternidade Zacarias Júnior, em Lagarto, primeira do estado a ter um Centro de Parto Normal

O que muda na prática

Para quem depende do SUS em Sergipe, essa integração garante que o plano de parto traçado lá no início da gravidez seja cumprido no momento de dar à luz. As enfermeiras obstétricas ganham protagonismo na condução do parto normal, trabalhando lado a lado com a equipe médica. O resultado é um atendimento mais acolhedor e com menos intervenções desnecessárias, reduzindo os riscos de complicações para a mãe e para o bebê.

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