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Alzheimer: estudo identifica ondas cerebrais que podem ajudar a prever risco da doença

Pesquisadores franceses associam alterações elétricas no cérebro acordado ao maior acúmulo da proteína beta-amiloide, abrindo caminho para diagnósticos precoces via eletroencefalograma.

Fonte:
RFI Brasil

Publicada em Hoje.

Alzheimer: estudo identifica ondas cerebrais que podem ajudar a prever risco da doença

Uma equipe de neurocientistas do Instituto do Cérebro, no Hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris, descobriu um potencial indicador precoce para o risco de Alzheimer. O estudo aponta que a presença de ondas elétricas lentas no cérebro de pessoas acordadas — semelhantes às registradas durante o sono profundo — está associada ao acúmulo futuro da proteína beta-amiloide, um dos principais marcadores da doença.

A atividade dessas ondas lentas na vigília costuma surgir após esforço mental, privação de sono ou lapsos de atenção. No entanto, a equipe liderada pelos pesquisadores Pierre Champetier, Thomas Andrillon e Delphine Oudiette observou que esse padrão de sincronização neuronal em momentos de repouso pode indicar alterações neurodegenerativas em fase inicial.

O que revelou a pesquisa

Os cientistas acompanharam cerca de 300 idosos entre 70 e 85 anos que apresentavam queixas de memória, mas mantinham resultados normais em testes cognitivos. Todos passaram por eletroencefalograma (EEG), avaliações cognitivas e exames de imagem (como PET scan) no início e após dois anos.

A análise revelou um dado inédito: entre os participantes que não tinham acúmulo de proteína amiloide no início do estudo, aqueles com ondas lentas de maior amplitude durante o EEG inicial foram os que mais desenvolveram depósitos da toxina nos anos seguintes.

Vantagem do diagnóstico precoce

Se os achados forem confirmados em pesquisas futuras, a grande vantagem será o uso do eletroencefalograma (EEG) — um exame simples, acessível e não invasivo — para rastreio inicial.

O objetivo não é substituir métodos já consolidados, como a ressonância magnética e exames de sangue, mas ajudar a selecionar quais pacientes com biomarcadores positivos realmente progredirão para o declínio cognitivo. Essa precisão é essencial para direcionar os novos tratamentos baseados em anticorpos antiamiloides, que possuem custo elevado, exigem aplicação em estágios muito iniciais e apresentam riscos de efeitos colaterais.

Sinais de alerta no sono

Os pesquisadores lembram que alterações frequentes de atenção e do sono costumam acompanhar quadros neurodegenerativos. Distúrbios crônicos não tratados, como insônia persistente de início tardio e apneia do sono, são considerados fatores de risco e devem ser avaliados por médicos para proteger a saúde cerebral ao longo do envelhecimento.

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