PBM no Amazonas: Hemoam reúne especialistas e reforça segurança transfusional
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 1 de outubro, às 19:16.

Se a transfusão de sangue é como “emprestar” um recurso precioso, o PBM (Patient Blood Management, ou Gerenciamento do Sangue da Pessoa) é o jeito mais cuidadoso de usar esse empréstimo só quando realmente precisa. E é exatamente isso que a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) está colocando em prática ao iniciar o I Simpósio Amazônico de Patient Blood Management (PBM) nesta quinta-feira (28/05), com programação até sexta-feira (29/05).
O encontro acontece no auditório do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam) e reúne referências nacionais e globais. A ideia é integrar hematologistas, cirurgiões, anestesistas e gestores dos setores público e privado em torno das regras internacionais que colocam a segurança transfusional em primeiro lugar.
A coordenadora-geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Luciana Carlos, abriu o evento dizendo que o PBM no Brasil é uma experiência bastante esperada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo ela, o país tem potencial para ser exemplo na incorporação da metodologia na América Latina, e até além.
Representando o governador Roberto Cidade, a secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, destacou que o avanço do Amazonas passa por qualificar a assistência e lidar com desafios próprios do território. Para ela, discutir tecnologia, evidências científicas e inovação no estado ajuda a construir soluções integradas e a melhorar o cuidado.
O que é o PBM e por que ele muda a transfusão
O Patient Blood Management é um conjunto de diretrizes internacionais chanceladas pela OMS voltado para reorganizar a segurança transfusional. Na prática, a metodologia busca trocar a lógica “transfundir automaticamente” por protocolos alternativos, sempre que isso fizer sentido para o paciente.
O texto do evento aponta que, no Brasil, ocorrem mais de 3 milhões de transfusões sanguíneas por ano, cerca de 8 mil por dia. Nesse cenário, a proposta do PBM é reduzir indicações desnecessárias e tornar o processo mais criterioso.
O que muda na prática no Amazonas
O Amazonas caminha nessa direção desde 2023, quando lançou um manual de transfusão sanguínea, segundo a diretora-presidente do Hemoam, Socorro Sampaio. Ela também informou que o estado está preparando a publicação de uma portaria estadual para criar o programa de cuidado do sangue da pessoa e que haverá cursos para capacitar mais de 200 profissionais.
A implantação do programa terá como base inicial o novo Hospital do Sangue Idenir Araújo Rodrigues, com 190 leitos. A diretora do Hemoce, Denise Brunetta, citou que a orientação é considerar a transfusão como medida para situações em que ela é realmente necessária, defendendo que investimento em PBM tende a virar economia em custos de saúde.
Como referência, ela lembrou um resultado do Ceará: em oito anos, a experiência poupou 95 mil bolsas de sangue e gerou R$129 milhões de economia.
- Público-alvo: hematologistas, cirurgiões, anestesistas e gestores do setor público e privado
- Eixo da mudança: substituição por protocolos alternativos quando for possível
- Estrutura inicial: Hospital do Sangue Idenir Araújo Rodrigues, com 190 leitos
- Capacitação: cursos para mais de 200 profissionais
Programação
A liderança científica do simpósio é do médico Axel Hofmann, referência global em PBM junto à OMS. Entre os palestrantes também estão Luciana Carlos (Ministério da Saúde), Denise Brunetta (Hemoce), Youko Nokui (Hospital das Clínicas de São Paulo) e Iê Fernandez (Hospital de Clínicas Gaspar Vianna do Pará).
No fim das contas, a pergunta que fica é simples: se o objetivo é usar melhor um recurso crítico, e com segurança, o Amazonas está se preparando para transformar isso em rotina de hospital, rede e gestão. E aí, para o paciente, o ganho é direto.
