Idosos no frio: hidratação e sinais de alerta fazem diferença

Casacos, luvas e cachecóis chegam com tudo no Distrito Federal, mas quem costuma sentir mais é o público idoso. Com o frio, aumentam as chances de infecções respiratórias como gripe, covid-19 e pneumonia, além de piora de doenças crônicas como asma e bronquite.
E tem uma explicação bem “de biologia básica”: com o envelhecimento, cai a massa muscular e o tecido subcutâneo e as mudanças na circulação deixam o corpo menos eficiente pra produzir e conservar calor. Resultado? Fica mais difícil manter a temperatura estável.
O frio ainda puxa outro gatilho: a vasoconstrição faz os vasos se contraírem pra reduzir perda de calor. Isso pode elevar a pressão arterial e forçar mais o coração, com associação a eventos cardiovasculares — incluindo infarto agudo do miocárdio e AVC.
Por que isso é importante
- No frio, o idoso pode ficar mais vulnerável a pioras respiratórias e a problemas do coração, então a prevenção vira peça-chave
- Desidratação é uma armadilha comum: mesmo sem sede, a oferta regular de água ajuda a evitar tontura, confusão e queda de pressão
- Qualquer mudança aguda do “normal” do idoso merece avaliação médica, porque nem toda infecção aparece com febre
Na prática, a rotina pode mudar. A aposentada Maria Clara da Silva Faria, 88, ajustou hábitos com a filha, Maria do Rosário Borges, 54.
“Fico de olho para que ela não durma de cabelo molhado, intensifiquei o tempo no sol, a ingestão de frutas cítricas, e a incentivo a beber água, porque, no frio, percebi que ela sente muita sede”, comenta a filha.
Dicas pra atravessar o frio com menos risco
- Proteger ambientes de correntes de ar
- Usar roupa em camadas e manter meias e cobertores (especialmente à noite e no começo da manhã)
- Manter alimentação equilibrada e ingestão de líquidos
E presta atenção na desidratação: no frio, a sensação de sede costuma diminuir — e isso pode favorecer tonturas, queda súbita da pressão arterial, confusão mental, constipação, infecções urinárias e até piora da função renal.
“Por isso, familiares e cuidadores devem incentivar a oferta regular de água ao longo do dia, independentemente da percepção de sede, observando sinais como boca seca, redução do volume urinário, urina mais escura, sonolência ou piora do estado geral”, orienta Larissa de Freitas Oliveira, RTD em Geriatria da Secretaria de Saúde (SES DF).
Sinais de alerta Procure avaliação médica se o idoso apresentar falta de ar, dificuldade para respirar, febre persistente, tosse intensa, dor no peito, palpitações, tontura, desmaios, confusão mental, sonolência excessiva, piora importante do estado geral ou sinais de desidratação.
“Infecções nem sempre se manifestam com febre: podem aparecer como prostração, perda de apetite, fraqueza ou alterações comportamentais. Qualquer mudança aguda do estado habitual da pessoa idosa merece atenção”, alerta a médica.
No fim, o recado é simples: no frio, o “normal” do idoso vale ouro — qualquer mudança, não deixa pra depois.
