DNA-HPV: Sesapi distribui testes e muda rastreamento do colo do útero
Publicada em 24 de maio, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Se a prevenção do câncer do colo do útero tivesse uma “troca de peça” mais eficiente, seria o tipo de ajuste que chega antes do problema virar dor. No Piauí, a Sesapi fez essa troca na prática ao distribuir testes DNA-HPV para os 14 municípios do território Entre Rios que participam de um projeto piloto de rastreamento.
A distribuição faz parte de uma iniciativa em parceria com o Ministério da Saúde e com a Beneficência Portuguesa de SP. A meta é ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e à prevenção do câncer do colo do útero na rede pública estadual.
O ponto-chave é o teste DNA-HPV: ele é um método molecular (ou seja, feito para detectar material biológico ligado ao vírus) e é tratado como uma tecnologia mais moderna do que o exame citopatológico Papanicolau. A mudança segue uma lógica simples: o Papanicolau passa a ser usado apenas para confirmação de casos positivos e negativos.
Ou seja, o rastreamento fica mais parecido com uma inspeção que encontra o sinal cedo e com mais precisão. E isso impacta o intervalo dos próximos exames: a nova tecnologia permite ampliar os intervalos de rastreamento por até cinco anos, quando o resultado é negativo, o que aumenta a eficiência e reduz custos.
O que muda na prática
O projeto piloto vai implementar e acompanhar a estratégia na Atenção Primária à Saúde dos municípios de Agricolândia, Água Branca, Altos, Amarante, Angical do Piauí, José de Freitas, Lagoinha do Piauí, Lagoa Alegre, Miguel Alves, Miguel Leão, Nazária, São Gonçalo do Piauí, Teresina e Barro Duro.
O acesso é pelo fluxo da rede básica: o público-alvo do rastreamento organizado inclui mulheres cisgênero, além de homens transgênero, pessoas não binárias, de gênero fluido e intersexuais nascidas com sistema reprodutivo feminino, com idades entre 25 e 64 anos. Para fazer o teste, basta marcar uma consulta ginecológica regular em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) de um dos municípios do projeto.
- Público-alvo: 25 a 64 anos, com recorte incluindo mulheres cisgênero e outras identidades com sistema reprodutivo feminino
- Tecnologia: teste molecular DNA-HPV no rastreamento, com Papanicolau para confirmação
- Intervalo: pode chegar a até cinco anos quando o resultado é negativo
- Rede atendida: Atenção Primária à Saúde nos 14 municípios do território Entre Rios
Por trás dessa mudança, há um motivo direto. O HPV é apontado como a principal causa do câncer do colo do útero, que é o terceiro tipo mais incidente em mulheres. No triênio 2023-2025, há 17.010 casos novos estimados por ano, e o INCA estima 15 casos a cada 100 mil mulheres. Na prática, a oferta do novo modelo busca fortalecer o rastreamento na rede pública e aumentar as chances de cura com tratamento precoce.
E daí pra mim? Se você está na faixa atendida, esse projeto pode significar acesso mais cedo e um acompanhamento com intervalos mais longos quando o resultado é negativo, com a rede pública organizada para confirmar quando precisar.
