SUS com acesso mais rápido: tecnologia e produção nacional em pauta na OMS
Publicada em 25 de maio, 2026.
Atualizada em 16 de outubro, às 17:12.

Fila longa para atendimento costuma ser um problema em cadeia: diagnóstico atrasa, medicamento não chega no ritmo esperado e a inovação fica para depois. Foi para atacar esse gargalo que o Ministério da Saúde levou uma missão à 79ª Assembleia Mundial da Saúde, entre 17 e 21 de maio, na Suíça e na França.
A ideia central foi tratar acesso ao SUS como quem organiza a despensa antes do almoço: não adianta ter a receita na mão, tem que garantir ingredientes e o jeito de produzir. Na agenda, os temas que aparecem com força foram transferência de tecnologia, financiamento sustentável e soberania sanitária (capacidade do país de cuidar da própria saúde com produção e conhecimento).
A missão teve a representação do diretor do Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Decis), Igor Ferreira Bueno, pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE). Segundo ele, os painéis da Assembleia ajudaram a reforçar a capacidade do Brasil para lidar com os desafios do setor.
O que está na conversa sobre acelerar acesso
No encontro organizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil levou experiências voltadas a fortalecer a produção nacional. Um dos pontos citados foram as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs). Na prática, o modelo aposta em transferência de tecnologia para impulsionar a indústria local e reduzir a dependência de produtos importados.
O ministério também colocou o foco em diagnóstico por imagem para tornar o cuidado mais equitativo. Entre as iniciativas mencionadas estão o Novo PAC Saúde, o “Agora Tem Especialistas” e o Programa de Expansão da Radioterapia no SUS (PERSUS II). O recado foi ampliar capacidade de exames e terapias de alta complexidade, com ênfase no cuidado oncológico e em tecnologias ligadas ao tratamento do câncer.
- Produção nacional: uso de PDPs e avanço para reduzir dependência de importações
- Diagnóstico e alta complexidade: ampliação de capacidade com PERSUS II
- Ensaios clínicos: integração entre SUS, universidades, setor produtivo e agências reguladoras
- Cooperação internacional: conversas para cooperação científica e tecnológica
Em Basileia (Suíça), a delegação conversou com Roche e Sandoz sobre cooperação tecnológica e produção de biossimilares (medicamentos biológicos com equivalência ao produto de referência). Em Lyon (França), os encontros incluíram a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) e visitas ao centro global da Sanofi ligado a vacinas e RNA mensageiro.
No encerramento, Igor Ferreira disse que a missão reforçou o compromisso do governo com o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e com o desenvolvimento científico e tecnológico para fortalecer a resposta do SUS aos desafios globais. E daí pra mim? É menos papo distante e mais base para chegar com mais agilidade aos tratamentos que dependem de tecnologia e produção funcionando na prática.
