Hepatites virais no Pará: profissionais se unem para acelerar diagnóstico e cura
Publicada em 18 de junho, 2026.
Atualizada em 20 de agosto, às 18:00.
Imagine planejar uma viagem longa sabendo exatamente onde quer chegar, mas precisando ajustar o trajeto para garantir que nenhum passageiro fique para trás. É esse ajuste de rota que o Pará começou a fazer nesta quarta-feira (17) para combater as hepatites virais.
O 6º Encontro dos Serviços de Atendimento Especializado (SAEs) em Hepatites Virais começou no auditório da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), em Belém. Durante três dias, cerca de 150 profissionais e gestores de saúde discutem como traçar os melhores atalhos para alcançar a meta global da Organização Mundial da Saúde (OMS): eliminar essas doenças até 2030.
Como em uma viagem por estradas desafiadoras, a estratégia precisa alcançar todas as paradas. O evento reúne representantes dos 42 SAEs (unidades de saúde voltadas ao tratamento de doenças específicas) do estado, além do Ministério Público e do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems).
A coordenadora estadual de Hepatites Virais da Sespa, Caroline Figueiredo, explica que o foco é tirar do papel o guia nacional para reduzir a mortalidade e ampliar o acesso a exames e remédios. A urgência faz sentido: hoje, a hepatite C tem cura em mais de 95% dos casos com o tratamento adequado.
Para que a viagem corra bem, o plano é descentralizar o atendimento. Um exemplo prático desse novo mapa é o projeto piloto em Ponta de Pedras, que já trata 03 pacientes ribeirinhos e 01 da zona urbana contra a hepatite B. Em 2025, a Sespa acelerou o passo e capacitou 815 profissionais de saúde.
O que muda na prática
O ponto-chave é identificar os gargalos da rede pública para que o tratamento chegue mais rápido a quem precisa, especialmente às populações vulnerabilizadas. Segundo o consultor técnico do Ministério da Saúde, Leonardo Carrara Matsuura, o debate ajuda a organizar esse fluxo de atendimento no estado.
Para garantir que os carros andem em sincronia, a programação divide os trabalhos em etapas:
- Manejo clínico: Oficina voltada a profissionais da Atenção Primária em Saúde (APS) (o primeiro atendimento nos postos) e da saúde prisional, nos dias 17 e 18 de junho.
- Debate social: Discussões abertas com a sociedade civil no dia 19 de junho.
- Ações de prevenção: Foco na ampliação do diagnóstico e no reforço da vacinação contra as hepatites A e B.
No fim das contas, a viagem rumo a 2030 fica mais rápida quando o tratamento bate à porta do paciente, em vez de exigir que ele percorra caminhos difíceis para conseguir ajuda.

