Absorventes gratuitos no DF: mais de 1,4 milhão de itens tentam vencer o tabu
Publicada em 26 de maio, 2026.
Atualizada em 13 de setembro, às 02:00.

Ir para a escola sem uma simples caneta torna impossível acompanhar a aula. Para quem menstrua e vive em situação de vulnerabilidade social, a falta de um absorvente causa o mesmo efeito de isolamento, impedindo tarefas básicas do cotidiano.
Para enfrentar esse problema, o programa nacional Dignidade Menstrual enviou mais de 1,4 milhão de absorventes para diversas regiões do Distrito Federal, entre o início de 2025 e o fim do primeiro trimestre deste ano. Desse total enviado, a população já retirou 84% dos itens.
A ação atende um público de quase 320 mil pessoas na capital federal. O benefício é voltado para mulheres cis, pessoas trans e não binárias que menstruam, com idade entre 10 e 49 anos, que estejam em situação de vulnerabilidade ou estudem na rede pública e tenham cadastro no CadÚnico (cadastro único do governo federal para programas sociais).
O que muda na prática
A distribuição gratuita desses itens gera impactos profundos que vão muito além da higiene. Segundo Denise Ocampos, gerente de Atenção à Saúde de Populações em Situação Vulnerável e Programas Especiais da SES-DF (Secretaria de Saúde do Distrito Federal), a iniciativa atua em quatro frentes principais:
- Saúde física: Atua como prevenção de infecções causadas pelo uso de materiais inadequados.
- Psicológica: Reduz o estigma, a vergonha e o sofrimento mental associados ao período menstrual.
- Social e Educacional: Aumenta a permanência de estudantes na escola e promove a inclusão social.
- Econômica: Reduz as desigualdades de quem não tem recursos para comprar o item de higiene.
O grande desafio do programa ainda é superar a falta de informação, a vergonha de pedir o item e a barreira de transporte para chegar aos pontos de distribuição. Por isso, equipes como a da UBS 15 de Ceilândia (Unidade Básica de Saúde) realizam palestras didáticas nas escolas da região para ensinar o uso correto do item e distribuir kits com sabonete líquido.
De acordo com a médica de Família e Comunidade Vilma Gomes, o diálogo nas escolas abre espaço para que as jovens tirem dúvidas sem medo, principalmente porque os ciclos menstruais têm começado cada vez mais cedo e muitas famílias encontram dificuldades para abordar o tema em casa.
Na prática, qualquer pessoa que se enquadre nos critérios pode retirar os absorventes gratuitamente em qualquer UBS ou hospital da rede pública do DF. Para garantir o acesso, profissionais de saúde realizam o acolhimento e a avaliação de vulnerabilidade na hora, liberando o insumo mesmo que o cidadão ainda não esteja inscrito no CadÚnico.
