Inovação & Tecnologia

Finep assina R$ 88,4 milhões na SpaceBR Show para autonomia espacial

Ministra Luciana Santos participou da formalização de iniciativas apoiadas pela Finep e visitou protótipo do Micro Lançador Brasileiro, projeto estratégico para garantir autonomia nacional no acesso ao espaço

Fonte:
MCTI

Publicada em 19 de junho, 2026.

Atualizada em 1 de outubro, às 19:11.

Finep assina R$ 88,4 milhões na SpaceBR Show para autonomia espacial

A ministra Luciana Santos participou nesta quinta-feira (18) da SpaceBR Show, em São Paulo, e marcou a formalização de iniciativas apoiadas pela Finep. No evento, ela assinou simbolicamente dois projetos de subvenção econômica que somam mais de R$ 88,4 milhões e ainda visitou o protótipo em escala real do Micro Lançador Brasileiro (ML-BR).

A agenda reforça a estratégia do MCTI para estimular inovação de alta complexidade e desenvolver capacidades ligadas ao futuro do país, com os investimentos integrando a Nova Indústria Brasil (NIB). “A construção da soberania nacional passa necessariamente pelo domínio de tecnologias estratégicas”, disse Luciana Santos.

Do lado da Finep, o diretor de inovação Elias Ramos afirmou que os investimentos fazem parte de uma busca por soberania tecnológica, citando que o órgão já fez aportes na ordem de R$ 3 bilhões voltados à autonomia em defesa e soberania nacional. O diretor de Governança do Setor Espacial da Agência Espacial Brasileira (AEB), Rogério Veríssimo, completou dizendo que as assinaturas de hoje reforçam a independência tecnológica do Brasil.

Micro Lançador Brasileiro entra na fase de integração

O ML-BR, desenvolvido pela Cenic com ETSYS, DELSIS, Plasmahub e Concert, teve investimento total de R$ 192 milhões, com quase R$ 190 milhões vindos da Finep, por meio de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A cerimônia celebrou o início da fase de integração do modelo estrutural do primeiro veículo lançador de satélites feito pela indústria nacional.

A ideia do projeto é avançar na autonomia do Brasil para lançar pequenos satélites, reduzindo dependência de tecnologias e serviços estrangeiros, num mercado global voltado a nano e microssatélites.

Propulsão líquida para lançadores e defesa

Ainda na feira, a ministra participou da assinatura simbólica do contrato de subvenção econômica da Finep com a Bizu Tecnologias Aeroespaciais e Serviços Ltda para desenvolver a “Plataforma Nacional de Propulsão Líquida Integrada Baseada em Peróxido de Hidrogênio para Lançadores Espaciais e Sistemas de Defesa”. O projeto tem investimento de R$ 26,4 milhões, sendo R$ 25 milhões do FNDCT, com desenvolvimento de tecnologias nacionais de propulsão líquida e sistemas críticos como a turbobomba POSEIDON.

Radar para a Amazônia Azul

Outro contrato assinado simbolicamente foi o da Finep com a IACIT Soluções Tecnológicas para o desenvolvimento do Projeto MANTA — Monitoramento Avançado Naval com Tecnologia Adaptativa. O investimento total é de R$ 62,1 milhões, com R$ 49,7 milhões financiados pelo FNDCT.

O projeto vai desenvolver um radar com alcance de até 350 milhas náuticas para monitorar áreas marítimas e será aplicado ao Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), da Marinha do Brasil.

Por que isso é importante

Esses aportes mexem diretamente no jogo da autonomia do Brasil no acesso ao espaço e no desenvolvimento de tecnologias que costumam ficar dependentes do exterior. Na prática, o país ganha mais capacidade para lançar pequenos satélites, fortalecer propulsão e ampliar monitoramento de áreas estratégicas. E isso tende a virar vantagem no setor de defesa e na segurança de atividades econômicas no mar.

Se a soberania tecnológica era promessa, aqui parece que tão tratando como cronograma.

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