Mortalidade por câncer de mama é 4 vezes maior em mulheres negras
Publicada em 26/10/2026, às 21:00
Atualizada há 3 horas

Uma publicação divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) colocou em evidência o impacto das desigualdades raciais no enfrentamento do câncer de mama. O trabalho, que reuniu dados de 24 estudos realizados em seis países — incluindo o Brasil —, revelou um contraste alarmante: embora o surgimento de novos casos da doença seja menor entre mulheres negras, a mortalidade nesse grupo é quase quatro vezes superior em comparação às mulheres brancas.
Especialistas do órgão explicam que o abismo no acesso aos serviços de saúde pública, a demora no agendamento de exames de rastreamento e o início tardio do tratamento são os principais fatores por trás desse indicador.
Disparidade no exame de mamografia Os dados da Pesquisa Nacional de Saúde confirmam a diferença no acesso ao diagnóstico precoce no Brasil:
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Mulheres brancas: Mais de 61% realizam mamografias de rastreamento regularmente.
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Mulheres pretas e pardas: A adesão ao exame varia entre 54% e 56%.
A falta de exames na frequência recomendada faz com que muitas pacientes negras descubram a doença em fases adiantadas ou em idades mais jovens, quando as chances de cura diminuem consideravelmente.
Tumores mais agressivos exigem ação rápida
Além dos obstáculos socioeconômicos, o levantamento do Inca destaca que mulheres pretas e pardas apresentam com maior frequência subgrupos tumorais de alta gravidade, como o câncer de mama triplo-negativo.
Por não possuir marcadores de membrana específicos, esse tipo de tumor cresce com rapidez, tem maior taxa de proliferação e probabilidade elevada de metástase. O diagnóstico precoce torna-se, portanto, uma questão determinante para a sobrevida.
Diretores do Inca ressaltam que os achados do estudo reforçam a necessidade urgente de políticas públicas direcionadas, que priorizem a busca ativa e a garantia de mamografias rápidas para a população negra em todo o país.
