Esquizofrenia: dia 24 lembra que estigma atrapalha o tratamento antes da doença
Publicada em 25 de maio, 2026.
Atualizada em 21 de julho, às 14:00.

Na rotina, o que muda de verdade é o acesso ao cuidado. E, neste Dia Nacional de Conscientização sobre Esquizofrenia, comemorado em 24, o foco é tirar a atenção do “medo do desconhecido” e colocar em três atitudes que ajudam: diagnóstico precoce, tratamento contínuo e quebra de preconceitos.
A cobertura cita que cerca de meio milhão de brasileiros adultos vivem com esquizofrenia. É uma doença psiquiátrica crônica (de longa duração) que influencia como a pessoa pensa, sente e interpreta o que acontece ao redor. O que costuma confundir é o imaginário popular sobre imprevisibilidade e risco de violência.
O ponto-chave vem da explicação do médico Thiago Blanco, Referência Técnica Distrital em Psiquiatra da Secretaria de Saúde (SES-DF). Na esquizofrenia, pode ocorrer hiperestimulação do funcionamento dos neurônios (um aumento da atividade dessas células), o que pode elevar a atividade cerebral. Em episódios de crise, a pessoa pode viver sob uma sensação persistente de ameaça por interpretações erradas da realidade e por alucinações auditivas.
O problema é quando o estigma entra no caminho. Em vez de tratar o tema como doença e cuidado, muita gente passa a enxergar a pessoa como “perigosa” ou “imprevisível” por causa de rótulos. O médico descreve um cenário diferente: muitas pessoas tendem a ser mais retraídas e introspectivas, com angústia persistente, ligada a uma crença conspiratória que sustenta a sensação de ameaça.
Uma analogia simples do dia a dia ajuda a entender sem complicar: pense em um rádio com o sinal embolado. A pessoa não escolhe “ouvir errado”; ela recebe a interferência como se fosse verdade. O tratamento, na prática, funciona para ajustar essa sintonia aos poucos, com acompanhamento e apoio, até a rotina voltar a ter sentido.
O que muda na prática
O diagnóstico é feito com base em critérios clínicos (julgamento a partir de avaliação profissional), usando observação, diálogo e vínculo. Exames podem ser usados eventualmente para descartar outras causas de alucinações e delírios.
Um desafio apontado por Blanco é que a própria pessoa pode não reconhecer os sintomas, porque não percebe a irrealidade das crenças e não se vê como doente. Na prática, esse cuidado precisa acontecer também com família e profissionais das equipes multidisciplinares.
O tratamento envolve antipsicóticos (medicamentos voltados a sintomas psicóticos), programas de treino de habilidades (cognitivas e sociais) e psicoterapia, além de educação em saúde e reforço da rede de apoio. Na rede pública, a integração acontece tanto nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) quanto nos Centros de Atenção Psicossociais (Caps).
- Tratamento contínuo: medicação e acompanhamento para sustentar a estabilidade
- Rede em conjunto: UBS e Caps com equipes multiprofissionais
- Caps em crise: apoio mais frequente e intensivo durante episódios
- Continuidade na UBS: após as crises, o acompanhamento pode seguir na UBS
Participam do cuidado psicólogos, profissionais do serviço social, nutricionistas e enfermeiros. E, do ponto de vista da conscientização, a mensagem final é clara: uma pessoa com esquizofrenia pode conviver em sociedade, trabalhar e ter reinserção social, com os desafios próprios de uma condição crônica.
O que fica para o dia a dia é direto: se o estigma pesa, quem precisa de ajuda pode demorar. E daí pra mim? Da próxima vez que surgir “esquizofrenia” com medo, a conversa pode virar acesso ao tratamento e respeito ao cuidado.
