Tratamento de queimaduras ganha reforço no Huse para a maratona do São João
Publicada em 30 de maio, 2026.
Atualizada em 26 de agosto, às 02:01.

Pular fogueira e soltar busca-pés são tradições marcantes do Nordeste, mas o perigo mora no descuido com o fogo. Para dar conta do aumento de acidentes que costuma lotar os prontos-socorros em junho, o principal hospital de Sergipe começou a se antecipar para proteger a população.
Preparar a unidade de saúde para esse período é como organizar a casa para um almoço de domingo com a família inteira: é preciso puxar as cadeiras extras (leitos adicionais) e arrumar o espaço antes que os convidados cheguem. É por isso que o Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) intensifica os atendimentos e passa a fazer o monitoramento diário de admissões (entrada de novos pacientes) de queimados.
Na prática, o hospital planeja abrir novos leitos no Pronto-Socorro e na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ), além de ampliar as equipes de especialistas nos dias de maior movimento, como a noite de São João. No ano passado, o Huse registrou 62 atendimentos de queimados apenas em junho, sendo 31 casos por fogos de artifício e 17 vítimas crianças.
A UTQ do hospital funciona como referência em Sergipe há mais de duas décadas e conta com 14 leitos de alta complexidade. O cirurgião plástico Bruno Cintra, responsável técnico pela área, alerta que o período junino já começa com 50% de ocupação dos leitos, o que exige atenção redobrada dos pais no cuidado das crianças com as fogueiras.
Ao todo, mais de 50 pacientes já foram admitidos este ano por queimaduras com fogo, substâncias químicas ou líquidos ferventes. O levantamento de 2025 mostra o tamanho do desafio: a unidade teve 170 admissões, sendo que as chamas diretas (71 casos) e os líquidos aquecidos (70 casos) representaram mais de 80% dos acidentes. Os homens somaram 65,9% dos internados, e os adultos lideraram com 107 internações contra 66 crianças.
O que muda na prática
O primeiro atendimento rápido dita a gravidade da recuperação e evita sequelas na pele. A gerente da UTQ, Wandressa Nascimento, orienta que a primeira ação deve ser resfriar a área queimada em água corrente em temperatura ambiente por 15 a 20 minutos. Logo depois, o ferido deve cobrir o local com um pano seco e limpo e buscar o posto de saúde mais próximo para avaliação.
- Estrutura de suporte: 14 leitos de alta complexidade e sala exclusiva para curativos na UTQ.
- Gravidade dos casos: queimaduras de média extensão somam mais de 60% das internações na unidade de Sergipe.
- Cuidado multidisciplinar: reabilitação com cirurgiões plásticos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e psicólogos.
