Saúde indígena: exposição Fiocruz “Sopro da floresta” e o Bem Viver
Publicada em 29 de junho, 2026.
Atualizada em 29 de junho, às 16:03.

Em meio a tanta correria, dá para perceber que “saúde” costuma virar sinônimo de consulta e remédio. Só que a Fiocruz resolve puxar esse assunto para outro lugar com a exposição “Sopro da floresta: cura que vem da terra”: cuidado como equilíbrio entre dimensões que, na prática, andam juntas.
A ideia central lembra uma rega de horta. Se você só olha um pedacinho do canteiro, o resto não acompanha. Na proposta da mostra, o cuidado também depende do “solo” mais amplo: corpo, espiritualidade, comunidade e natureza sustentam o que vem junto.
A inauguração acontece em 2 de julho, às 9h, na Tenda da Ciência Virgínia Schall, no campus de Manguinhos. A exposição é gratuita e fica nas salas 307 e 308 do Castelo da Fiocruz.
O que a exposição apresenta
A experiência é guiada por curadoria indígena, com protagonismo de pajés, majés e kujãs. Entre os participantes, há lideranças associadas aos povos kaingang, de São Paulo, e pitaguary, do Ceará.
O conteúdo é organizado em oito módulos, com temas como conhecimentos vindos da floresta, atuação dos pajés, uso de instrumentos musicais e elementos de proteção. A mostra ainda trata a cozinha como espaço sagrado ligado à produção de saúde.
Para dar presença ao que é compartilhado, a exposição inclui depoimentos em vídeo de lideranças indígenas, além de desenhos feitos por crianças da Escola Indígena Pitaguary Ita-Ara, no Ceará, e cantos tradicionais dos povos pitaguary e kaingang, entre outros recursos.
O ponto-chave para entender por que isso importa
O recado não fica só no simbólico. A exposição aponta ameaças enfrentadas por mais de 300 povos originários do Brasil. E faz a conexão direta: desequilíbrio ambiental pode atingir a rede de vida que sustenta os seres vivos.
- Público-alvo: quem quer pensar saúde e cuidado por outras cosmologias
- Eixo temático: o conceito de Bem Viver, ligado a equilíbrio entre dimensões da vida
- Formato: experiência imersiva com módulos, vídeos, cantos e recursos visuais
- Recado prático: equilíbrio ambiental sustenta a rede de vida
Na abertura, a majé Nádia Pitaguary, uma das curadoras, resume a proposta com a ideia de ouvir a voz da floresta e manter a esperança. O antropólogo Alex Hermes também destaca que a exposição traz advertências sobre perigos contemporâneos, citando agronegócio e poluição das águas como exemplos relacionados ao risco de afetar a rede de vida.
O que muda na prática
O impacto mais imediato é no olhar. Se a expectativa é “ver uma exposição”, a saída pede outra lente para prevenção, cuidado e políticas: saúde aparece ligada a espiritualidade, comunidade e natureza.
A iniciativa é do Museu da Vida e da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), com apoio da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde.
E daí pra mim? Depois de encarar a ideia de “regra do solo”, fica mais difícil tratar saúde como algo isolado. Ou seja: é sobre o que sustenta a vida, e isso passa por você também.
Programação (serviço)
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Inauguração: 2 de julho (quinta-feira), às 9h
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Local: Tenda da Ciência Virgínia Schall – Museu da Vida Fiocruz, Campus Fiocruz Manguinhos – RJ (Avenida Brasil 4.365, Manguinhos, Rio de Janeiro)
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Horários do evento: café de acolhimento a partir de 9h; mesa institucional de 9h30 a 10h15; mesa com parceiros de 10h15 a 11h; caminhada com pajés e kujãs de 11h a 11h30; visita guiada de 11h30 a 13h; brunch às 13h; roda de conversa de 14h30 a 16h30
