Doação de órgãos em Sergipe: protocolo mais rápido eleva doações em 20%
Publicada em 25 de maio, 2026.
Atualizada em 10 de julho, às 22:00.

Na fila do dia a dia, cada minuto importa. Em Sergipe, isso virou dado: a rapidez no fechamento do protocolo de morte encefálica (documento que confirma a condição para viabilizar a doação) ajudou a aumentar o número de doadores de órgãos.
No Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), onde acontece a maior parte das captações no estado, a integração das equipes e o acolhimento às famílias vêm fortalecendo o processo de doação e contribuindo para salvar vidas.
Segundo a Central Estadual de Transplantes, entre 1º de janeiro e 24 de maio de 2026, Sergipe registrou 25 doadores de órgãos. No mesmo período de 2025, foram 20 doadores, o que representa um aumento de pouco mais de 20%. O avanço também aparece nos órgãos captados:
- Em 2025: 1 coração, 19 rins e 11 fígados
- Em 2026: 3 corações, 35 rins e 18 fígados
O ponto-chave, na fala da coordenadora da Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE), Darcyana Lisboa, é que o tempo influencia diretamente a viabilidade. Ou seja: quanto mais demora, maior o risco de deterioração dos órgãos, porque existe um limite para a preservação depois que o protocolo é concluído.
Para entender por que isso pesa, pense na preservação como uma “carga perecível” que precisa chegar ao destino na janela certa. É como preparar uma encomenda que tem validade: se você demora para despachar, ela perde qualidade; se chega rápido, a chance de dar certo aumenta.
Após a retirada do doador, os órgãos entram no chamado tempo de isquemia fria (período em que deixam de receber oxigênio e nutrientes pela circulação sanguínea, mas permanecem preservados). Darcyana detalhou os prazos de preservação: o coração tem quatro a cinco horas, o fígado pode chegar a 12 horas, o pâncreas até 20 horas e o rim até 36 horas. Na prática, chegar mais cedo ao receptor melhora as chances de sucesso do transplante e da recuperação do paciente.
Além da agilidade, o cuidado com a preservação também é decisivo. Darcyana explicou que os órgãos são acondicionados em soluções específicas, colocados em bolsas estéreis e mantidos em caixas térmicas com temperaturas controladas, com avaliação antes do transplante.
O que muda na prática
A diferença no Huse aparece na própria gestão do fluxo: antes, o protocolo podia levar mais de uma semana para ser concluído; agora, a equipe afirma finalizar em até 24 horas, dentro das normas do Conselho Federal de Medicina.
- Rótulo: tempo do protocolo reduzido (até 24 horas)
- Rótulo: doadores em 2026 chegam a 25 no período
- Rótulo: órgãos captados sobem, com destaque para rins (19 para 35)
- Rótulo: preservação guiada por janelas como 36 horas para rins
E daí pra mim? Se o processo anda mais rápido e com segurança, mais gente pode entrar na rota do transplante com chances melhores de recuperação.
