SUS e migrantes: o que muda quando cuidados ganham diversidade
Publicada em 19 de junho, 2026.
Atualizada em 17 de julho, às 06:00.
No Dia Nacional do Migrante, celebrado em 19 de junho, o Ministério da Saúde coloca em pauta uma ideia simples e prática: quando entram novas histórias e saberes no cuidado, o SUS fica mais forte. A data, instituída pela Lei nº 14.678, também marca o início da Semana do Migrante e do Refugiado, que vai de 19 a 23 de junho.
Pensa num time que só aprende a jogar com o mesmo manual o tempo todo. Migrantes e refugiados entram com outras experiências, outras formas de entender o território e o cuidado, e isso ajuda o sistema a ajustar o olhar. No Ministério da Saúde, essas trajetórias aparecem como cuidado, inovação, troca de experiências e fortalecimento de políticas públicas.
O texto destaca que há profissionais de diferentes nacionalidades atuando em áreas como assistência, vigilância em saúde, gestão, pesquisa, ensino e atenção. Na prática, vivências e formações ampliam perspectivas e contribuem para qualificar ações e serviços em todo o país.
O que dá para ver nas histórias de quem vive o SUS
A coordenadora-geral de Articulação Interfederativa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Fatima Ali, é palestina. Ela atua no SUS há 20 anos e relata dificuldades de adaptação cultural e resistência ligadas ao deslocamento forçado de seu povo após a catástrofe, citada como resultado de um cenário de extermínio. Para ela, manter laços familiares e preservar esperança viram parte do modo de acolher.
Outra experiência aparece com a nutricionista Maria del Pilar Flores-Quispe, de 44 anos, peruana. Em 2015, ao buscar formação, ela conseguiu vaga para mestrado em Epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas. Entre os impactos, ela menciona a dificuldade com idioma e as mudanças na ascensão social ao sair do Peru.
O que muda na prática
O Ministério da Saúde também conecta o tema a medidas e fluxos de cuidado.
- Acesso sem discriminação: o direito à saúde é ligado aos princípios de universalidade e equidade do SUS.
- Atendimento na Atenção Primária: as ações focam qualificar serviços e promover acesso e acolhimento.
- Integração no sistema: na chegada, a orientação é fazer o cadastramento no e-SUS APS (sistema usado para registrar atendimentos na Atenção Primária).
- Olhar intercultural: profissionais devem considerar aspectos interculturais para respeitar identidades, enfrentar preconceitos e fazer uma abordagem humanizada.
No fim, é como numa mistura bem feita: o SUS não perde a base; ele ganha tempero e capacidade de conversar com realidades diferentes. Ou seja, a contribuição de profissionais migrantes e refugiados vira parte do “funcionar melhor” do sistema.
E daí pra mim? Se você usa o SUS, a história aqui é que acolhimento e diversidade podem aparecer no cotidiano do cuidado, na porta de entrada e na forma como as pessoas são atendidas.

