Reabilitação no DF: Hospital de Apoio transforma recuperação em recomeço
Publicada em 28 de maio, 2026.
Atualizada em 9 de julho, às 02:01.

Depois de uma lesão neurológica, o maior susto costuma ser o impacto no dia a dia: andar, comer, falar e fazer tarefas básicas deixam de ser “automáticas”. É exatamente por isso que o setor de reabilitação do Hospital de Apoio de Brasília (HAB) se organiza para ajudar pacientes a retomar autonomia, com um atendimento multiprofissional intensivo.
Na prática, o objetivo do tratamento é promover a reinserção social depois de situações como lesões medulares, sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e traumatismo cranioencefálico. O ponto-chave é trabalhar para devolver o máximo de função possível: que a pessoa consiga se locomover, se alimentar, se comunicar e, quando houver condições, voltar ao trabalho.
Pensa nisso como um “voltar para a oficina”: depois do problema que emperrou o corpo, a equipe faz ajustes funcionais com rotina e acompanhamento. Só que, aqui, esses ajustes acontecem todos os dias dentro do hospital, com especialidades atuando juntas.
O que muda na prática
O HAB descreve um modelo em que o paciente interna para fazer a reabilitação e recebe assistência diariamente, o que concentra o cuidado e ajuda a otimizar o processo de recuperação. A equipe também inclui treinamento de cuidadores, suporte social e orientação sobre acesso a benefícios, para que a volta para casa seja acompanhada.
Entre as frentes do cuidado estão a fisioterapia, que atua diretamente na recuperação funcional, e a fonoaudiologia. A fonoaudióloga Gabrielle Barbosa, que trabalha há 20 anos no HAB, atende pessoas com comprometimentos na comunicação, nas funções orofaciais e na deglutição (ato de engolir). A terapeuta ocupacional Kailani Lima reforça que atividades como se alimentar, tomar banho, se vestir e dormir podem ser afetadas pelo adoecimento e, por isso, recebem foco para fortalecer a independência.
O cuidado não para no corpo. A psicóloga Flávia Martins realiza avaliações cognitivas e sociais e mantém acompanhamento contínuo do processo de recuperação. A assistente social Mariana Palacios orienta famílias e trabalha o acolhimento, incluindo apoio sobre acesso a direitos sociais. E a enfermagem segue como base do funcionamento da ala, com preparo para os atendimentos, administração de medicações e cuidados contínuos, além de trabalho educativo com pacientes e cuidadores.
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Foco: recuperar autonomia em locomoção, alimentação e comunicação
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Tratamento: reabilitação com assistência diária durante a internação
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Equipe: atuação multiprofissional com fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia, enfermagem e serviço social
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Critérios: vaga depende de potencial de ganho funcional, estabilidade clínica e capacidade de participar das terapias
Um exemplo citado é João Martins Casimiro, 66 anos, que sofreu um AVC e ficou com sequelas no lado esquerdo do corpo, incluindo rosto, braços e pernas. Ele relata que, em menos de dois meses, está saindo do HAB caminhando e comendo e bebendo.
E, para quem pensa em como entrar nesse fluxo, a internação na ala de reabilitação segue critérios clínicos definidos pela Secretaria de Saúde (SES-DF). Entre os requisitos estão potencial de ganho funcional, estabilidade clínica e capacidade de participação ativa nas terapias. A priorização das vagas considera o menor tempo desde a lesão e as possibilidades de recuperação a curto e médio prazo, com preferência por recém-saídos da fase aguda ou com alta hospitalar recente. Casos que precisam de suporte avançado de vida, com ventilação mecânica invasiva, infecções ativas ou quadro clínico instável não se enquadram no perfil assistencial da unidade.
No fim das contas, a conversa é simples: reabilitação aqui vira um caminho para a pessoa voltar a fazer, com acompanhamento e equipe por perto. Ou seja: e daí pra mim? Se a rotina depende do corpo funcionar, o HAB tenta recuperar esse “funcionar” por meio de um plano que acompanha de verdade.
