Sarampo: nenhum estado atinge meta de vacinação e surtos em países vizinhos acendem alerta no Brasil

O Brasil tenta preservar o certificado de país livre da circulação endêmica do sarampo em um momento crítico para a saúde pública nas Américas. Dados do Ministério da Saúde mostram que nenhum estado brasileiro conseguiu atingir a meta de vacinar 95% das crianças de até 2 anos com as duas doses da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola).
A média nacional de vacinação completa está atualmente abaixo dos 80%. O índice é considerado insuficiente pelos infectologistas para garantir a imunidade coletiva e impedir que casos importados do exterior voltem a provocar surtos comunitários no país.
O cenário nas Américas e o risco de casos importados
A preocupação das autoridades de saúde aumentou diante do descontrole do sarampo em países vizinhos e nas Américas. O Peru e a Bolívia enfrentam milhares de infecções, enquanto nos Estados Unidos a queda nas taxas de imunização gerou mais de 3,6 mil casos e mortes em 2026, levando Nova York a decretar estado de emergência.
No Brasil, os casos registrados em 2026 (pouco mais de 50, a maioria concentrada no estado de São Paulo) são decorrentes de importação viral — pessoas que se infectaram no exterior ou tiveram contato com viajantes. Para conter a ameaça, o Ministério da Saúde reforçou a vacinação em áreas de fronteira, como no oeste do Amazonas.
"Quando atingimos mais de 95% da população vacinada, impedimos que esses casos trazidos de fora se traduzam em transmissão sustentada no país", explica o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Sintomas, complicações e amnésia imunológica
O sarampo é uma das doenças virais mais contagiosas conhecidas, transmitida pelo ar por meio de tosse, espirros ou pela fala. Os sintomas iniciais incluem febre alta (acima de 38,5 °C), tosse seca, olhos vermelhos (conjuntivite) e mal-estar, seguidos pelo aparecimento de manchas vermelhas que começam no rosto e se espalham pelo corpo.
A infecção pode evoluir para complicações graves e fatais, como pneumonia, infecções de ouvido que levam à surdez e inflamação no cérebro (encefalite). Além disso, a doença causa a chamada amnésia imunológica: após se recuperar, o paciente pode passar de três a seis meses com a imunidade enfraquecida, ficando muito mais suscetível a outras infecções graves.
Quem deve se vacinar?
A vacina tríplice viral é gratuita, segura e não causa autismo — mito derivado de estudos fraudulentos já desmentidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Duas doses da vacina garantem mais de 97% de proteção duradoura.
Confira o esquema de vacinação do SUS:
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Bebês aos 12 meses: primeira dose da tríplice viral;
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Crianças aos 15 meses: segunda dose (reforço);
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Pessoas de 5 a 29 anos: devem ter pelo menos duas doses comprovadas na caderneta;
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Adultos de 30 a 59 anos: devem ter ao menos uma dose registrada.
Se você ou seus filhos estão com a vacinação em atraso, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima levando a caderneta de vacinação para regularizar as doses.
