Queimaduras no São João: Huse vê alta de casos por fogos de artifício
Publicada em 26 de junho, 2026.
Atualizada em 13 de julho, às 16:00.
No São João, muita gente acende fogueira e solta fogos como tradição. Só que, no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), a rotina do pronto-socorro muda junto com a festa: os acidentes por queimaduras aumentam, e boa parte deles está ligada a fogos de artifício.
Pelo levantamento preliminar do hospital, entre os dias 31 de maio e 24 de junho foram registrados 44 atendimentos de pacientes com queimaduras. As causas incluem fogo, líquidos superaquecidos (líquidos quentes acima do ponto de fervura), substâncias químicas e acidentes domésticos.
Desses 44 casos, 26 tiveram relação direta com fogos de artifício. A lista de ocorrências citadas pelo Huse inclui acidentes com espadas, bombas, busca-pé, pólvora e até bacamarte.
O dado fica ainda mais evidente na virada do período: apenas nos dias 23 e 24 de junho foram contabilizados 13 atendimentos por queimaduras. Nesse recorte, 11 estavam relacionados ao uso de fogos de artifício. Dos pacientes atendidos nesses dois dias, 12 precisaram de internação na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ), setor especializado no tratamento de casos mais graves. E, dentro desse grupo, quatro internações foram consequência direta de acidentes com fogos.
Na prática, é como quem deixa a panela no fogo e esquece: o susto vem rápido e costuma ser difícil de desfazer depois. A gerente da UTQ, Wandressa Nascimento, reforça que o problema vai além da queimadura em si e pode deixar sequelas. Segundo ela, são acidentes que acontecem em segundos e podem resultar em marcas permanentes, com impactos físicos e também psicológicos.
O que muda na prática
Os casos que mais preocupam a equipe incluem acidentes com bombas de maior potência, que podem causar lesões profundas e até amputações. Wandressa afirma que os episódios mais graves envolvem perda de parte dos dedos ou da mão, situação que altera a rotina e pode comprometer até o retorno ao trabalho.
Para as famílias, o alerta é especialmente para crianças. A orientação do Huse é não deixar menores manusearem fogos de artifício e manter supervisão de um adulto, mesmo quando os artefatos são considerados de baixo risco. A recomendação é que não se entregue qualquer tipo de artefato para uma criança, porque uma simples faísca pode atingir a roupa e provocar queimaduras rapidamente. A equipe também pede atenção à vestimenta, evitando tecidos leves ou inflamáveis.
O hospital também registra aumento de queimaduras dentro de casa durante o preparo das comidas típicas, com destaque para líquidos ferventes e panelas em grande quantidade.
- Atendimentos (31/5 a 24/6): 44
- Casos ligados a fogos: 26
- Dias 23 e 24/6: 13 atendimentos; 11 por fogos
- Internações na UTQ: 12; 4 por fogos
Em caso de acidente, a orientação é lavar imediatamente a área com água corrente em temperatura ambiente por cerca de 15 a 20 minutos. O Huse diz para não usar substâncias caseiras como manteiga, pasta de dente ou pó de café e, depois, cobrir com um pano limpo e procurar atendimento médico.
E daí pra mim? Se a festa vem com fogos e com panelas no fogão, vale agir antes do “susto de segundos”: prevenir e saber o que fazer na hora muda o desfecho para paciente e família.

