Bem-Estar

Farmácia do Paraná: atendimento cresce 114% em 7 anos, entenda o salto

Em 2025, o Paraná acelera a entrega e a retirada dos remédios do Ceaf, com alta de **114%** no número de usuários em sete anos e mais acesso pela rede municipal e pelo Remédio em Casa

Publicada em 20 de junho, 2026.

Atualizada em 15 de julho, às 18:00.

Farmácia do Paraná: atendimento cresce 114% em 7 anos, entenda o salto
Secretaria da SaúdeSES Paraná (SESA)

Se você depende de remédio de uso contínuo, sabe como é frustrante quando a fila demora, a retirada complica e o tratamento emperra. No Paraná, a Farmácia do Paraná vem justamente tornando isso mais previsível: em sete anos, o atendimento a pacientes do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf) subiu 114%.

Pensa na fila do ônibus virando um corredor com catracas e horários mais organizados: quanto mais “portas” de entrada e distribuição existem, mais gente consegue seguir o caminho sem travar no meio. Foi nessa lógica de ampliação que os números acompanharam.

Em 2019, o Ceaf registrava 264.510 usuários. Em 2025, o total chegou a 566.343. A distribuição acompanhou o ritmo: o Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) passou de 196 milhões de unidades distribuídas para 350 milhões no mesmo período, alta de 78,5%.

O volume também inclui novos ingressos. Segundo a Sesa, 159.136 novos usuários começaram a acessar os serviços da Farmácia do Paraná no ano passado.

Os medicamentos são oferecidos gratuitamente para doenças crônicas e raras, com base nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde. Ou seja: o que define quais tratamentos entram na assistência vem de diretrizes padronizadas, não de tentativa e erro.

Entre os usuários do Ceaf, os protocolos com maior concentração somam cerca de 60% dos ativos. Os destaques são tratamentos para dor crônica (17,21%), dislipidemia (16,17%), asma (9,97%), diabetes melito tipo 2 (7,19%), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) (4,61%) e transtorno afetivo bipolar (4,34%).

O que muda na prática

O aumento de pacientes não é colocado como “mais gente para o mesmo lugar”, mas como expansão do caminho até o medicamento. A Sesa diz que a estratégia foi descentralizar a dispensação (a etapa em que o paciente retira/recebe o medicamento) para municípios.

  • Acesso ampliado: a rede estadual tem 24 unidades em funcionamento nas 22 Regionais de Saúde.
  • Oferta de itens: são 280 itens entre medicamentos e insumos dos componentes Ceaf e Elenco Complementar.
  • Retirada mais perto: com a dispensação municipal, o paciente passa a solicitar o tratamento e retirar em local mais próximo.
  • Entrega domiciliar: o Remédio em Casa atende em seis Regionais de Saúde.

O Remédio em Casa, que começou em Curitiba, hoje inclui regiões como Londrina, Cascavel, Maringá, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. Em 2025, o programa atendeu 34.511 usuários com mais de 40 doenças crônicas, incluindo dislipidemia e asma, entre outras. A Sesa informa que a modalidade abrange itens que não exigem refrigeração ou controle especial.

Além disso, a assistência ganhou reforço para saúde mental. A inclusão de novos medicamentos no elenco complementar do componente básico foi pactuada conforme a Deliberação CIB/PR 653/2025. A Sesa financiará escitalopram, sertralina e venlafaxina para quadros de depressão e ansiedade, e naltrexona para dependência ou transtorno por uso de álcool e opioides.

O financiamento inclui contrapartida estadual de R$ 1,30 por habitante ao ano, totalizando R$ 14,8 milhões repassados aos municípios para aquisição. Deste montante, R$ 12,5 milhões seguem para o Consórcio Paraná Saúde, responsável pela compra centralizada para 398 cidades. A licitação do consórcio foi homologada em maio de 2026, com entrega prevista para final de julho de 2026. Para Curitiba, que não integra o consórcio, R$ 2,3 milhões foram repassados em maio, com aquisição direta pela Capital.

E tem mais um avanço na lista do componente especializado: segundo a Deliberação CIB/PR 654/2025, entram zuclopentixol e paliperidona, antipsicóticos injetáveis de ação prolongada, com início do atendimento previsto a partir de julho.

No fim das contas, o ponto é simples: quando a rede se organiza e distribui melhor, quem precisa do remédio por meses ou anos consegue encaixar o tratamento na rotina. E daí pra mim?

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