Milho em João Pessoa: como os produtores salvaram a colheita do São João
Publicada em 30 de maio, 2026.
Atualizada em 26 de agosto, às 10:01.

Organizar o São João sem milho é como preparar aquele churrasco de domingo e esquecer de comprar o carvão. Para garantir que a mesa dos moradores de João Pessoa não fique vazia, os produtores locais começaram a trabalhar cedo.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedest) planejou essa colheita ainda em março, quando distribuiu duas toneladas de grãos (sendo mil quilos de milho e mil quilos de feijão) para mais de 150 agricultores familiares. O esforço faz parte do programa Eu Posso Semear, criado em 2021 para incentivar a produção de alimentos agroecológicos (cultivados sem produtos químicos nocivos).
O ponto-chave é que, mesmo enfrentando o clima, a produção resistiu. Fortes chuvas em maio transbordaram o leito do Rio Gramame, na Zona Sul, destruindo metade do plantio da região. Ainda assim, os produtores salvaram cerca de 50% das sementes de milho, que agora estão na fase de bonecando (etapa de crescimento em que a espiga começa a se formar).
O agricultor Joselito dos Santos, conhecido como Doda, sentiu o impacto na pele em sua propriedade de 4,5 hectares em Ponta de Gramame. Ele perdeu metade do cultivo, mas mantém o otimismo. Ele plantou as sementes entre os dias 1 e 5 de março e, com um ciclo de colheita de 65 dias, projeta colher meia tonelada (cerca de 100 mãos de milho) com a ajuda de sua família e de dois funcionários.
Na outra ponta, o produtor Paulo Maximiliano de Lira escapou ileso das chuvas porque suas terras de três hectares ficam em uma área mais alta. Ele plantou meio hectare de milho sem agrotóxicos e planeja colher o alimento em duas etapas: no início de junho e perto do dia de São Pedro.
O que muda na prática
Os consumidores encontram o milho fresco e outros alimentos diretamente com os produtores locais em feiras itinerantes apoiadas pela prefeitura.
- Público beneficiado: O programa atende 150 famílias de agricultores em Gramame e Ponta de Gramame, além de mais 170 espalhadas por outros bairros da capital.
- Pontos de venda: As feiras acontecem nas terças-feiras nos Bancários (5h às 11h), quartas-feiras no Jardim Oceania (13h às 19h) e sextas-feiras em Manaíra (5h às 11h).
- Canais alternativos: Os produtores também vendem para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) municipal, gerido pela Sedes, e em feiras na UFPB e no IFPB.
No fim das contas, comprar diretamente desses agricultores ajuda a fortalecer a economia local de João Pessoa e garante o ingrediente mais disputado do mês fresquinho na sua mesa, direto do produtor.
