Saúde quilombola no Tocantins ganha reforço após expedição mapear barreiras de acesso
Publicada em 28 de maio, 2026.
Atualizada em 2 de setembro, às 08:00.
Imagine dirigir por uma estrada de terra desconhecida, sem sinal de celular e sem saber onde fica o posto de combustível mais próximo. Para muitas comunidades tradicionais, a busca por atendimento médico de qualidade segue um roteiro parecido, cheio de curvas e barreiras invisíveis.
Foi para ajustar esse GPS da saúde pública que equipes técnicas viajaram até o Quilombo Lajeado, situado a cerca de 60 quilômetros de Dianópolis, nos dias 25 e 26 de maio. O objetivo do grupo foi mapear de perto a realidade geográfica e a estrutura de atendimento oferecida pela APS (Atenção Primária à Saúde, o nível inicial de atendimento do SUS responsável por exames e consultas básicas) para os moradores locais.
A comitiva reuniu a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO), por meio de seu Núcleo de Equidade em Raça e Gênero, a Secretaria de Igualdade Racial (SIR), a Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais (SEPOT) e equipes locais de atendimento.
Na prática, os técnicos traçaram as rotas físicas, distâncias e dificuldades que a população enfrenta no dia a dia. É o equivalente a atualizar os mapas de um aplicativo de trânsito para descobrir exatamente onde o fluxo de pacientes costuma travar.
Após a vistoria, gestores debateram soluções na Oficina de Saúde Quilombola, na Câmara Municipal de Dianópolis. O encontro reuniu diretores do Hospital Regional de Arraias (HRARR) e do Hospital Regional Dianópolis (HRD), além de coordenadores de saúde de 15 municípios do Sudeste tocantinense.
O que muda na prática
A partir desse mapeamento de território, as lideranças regionais começaram a desenhar um plano de ação conjunto para otimizar o encaminhamento de pacientes e preparar melhor os profissionais que atuam na ponta.
Os principais pilares do plano de ação incluem:
- Incentivo financeiro: Novo recurso direcionado especificamente para a saúde das comunidades quilombolas.
- Política de igualdade: Alinhamento com as diretrizes da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.
- Mapeamento de gargalos: Identificação exata de distâncias e barreiras físicas que impedem o acesso aos serviços.
- Capacitação de equipes: Convites para futuras agendas de treinamento e qualificação promovidas pela gestão.
Segundo Bianca Pereira, diretora de políticas públicas da SES-TO, esse mapeamento ajuda a calibrar o planejamento regional de saúde. O cirurgião-dentista da pasta, Lucas De Sá, explicou que a troca de experiências pavimenta o caminho para a qualificação contínua das equipes da rede pública.
