Curso de Emergência em Saúde: Brasil e Cuba unem forças para preparar profissionais
Publicada em 17 de junho, 2026.
Atualizada em 19 de junho, às 12:40.
Brasília está virando uma espécie de central de treinamento para emergências em saúde. Entre 15 e 26 de junho, o país sedia o Curso HELP (Health Emergencies Large Populations), que é como um "intensivão" para quem lida com surtos, desastres e outras crises que afetam muita gente. A ideia é turbinar a capacidade de resposta a essas situações.
Essa iniciativa é fruto de uma parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública de Cuba e o Ministério da Saúde do Brasil, com apoio direto do próprio ministério. Ao todo, 32 profissionais de saúde e de outras áreas ligadas a emergências estão participando. Eles vêm de países como Brasil, Cuba, Argentina, México, Panamá, Venezuela e São Tomé e Príncipe.
Pense nisso como um "mutirão" de conhecimento. O curso faz parte de um trabalho maior do Brasil como Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS). Embora o HELP aconteça em vários lugares do mundo, esta edição em Brasília é a única ministrada em espanhol, o que a torna especial para a galera das Américas.
O objetivo principal é afiar o preparo do Ministério da Saúde brasileiro e dos outros países participantes para gerenciar e responder a emergências de saúde pública. A programação inclui metodologias e ferramentas para lidar com desastres e epidemias, incentivando a troca de experiências entre os participantes.
Edenilo Barreira, diretor do Departamento de Emergências em Saúde Pública (DEMSP), explicou que a ação reforça o compromisso do ministério em fortalecer as respostas a emergências, tanto no Brasil quanto na região. "É uma forma de preparar nossas equipes e as dos vizinhos para enfrentar desafios sanitários e desastres, seguindo as diretrizes globais de saúde e redução de riscos", disse.
Do plano à ação: treinamento para o pior cenário
Ao longo de duas semanas, os participantes mergulham em temas como planejamento, coordenação de ações, avaliação de riscos e tomada de decisões em situações de crise. A meta é qualificar quem atua na prevenção, preparação e resposta a eventos que abalam a saúde da população. A metodologia mistura aulas teóricas, estudos de caso e exercícios práticos para que o aprendizado seja aplicável no dia a dia e em grandes emergências.
Os assuntos abordados são amplos e vão desde direito internacional humanitário e ética em ações de ajuda até gestão da resposta, comunicação em crises, análise de dados e como articular diferentes instituições. Também entram na pauta questões técnicas cruciais, como saúde em zonas de crise, fortalecimento de serviços de saúde, acesso à água e saneamento, nutrição, vigilância de doenças, saúde mental e apoio psicossocial.
Sandra Flores Urriola, panamenha de 68 anos e ex-profissional da Cruz Vermelha, é uma das participantes. Ela decidiu continuar como voluntária após se aposentar para compartilhar conhecimento. Para Sandra, o curso é uma oportunidade de obter informações valiosas e aprender a agir com mais eficácia em momentos críticos. "Este curso nos prepara para responder a grandes emergências, e isso não é só para médicos. Comunicadores, planejadores, economistas, todos precisam estar prontos para ir além da rotina e trabalhar em equipe", comentou.
Sandra relembrou situações no Panamá, como inundações e deslizamentos, e a experiência com a migração em larga escala. "Percebemos que não bastava cuidar só da saúde, era preciso pensar em proteção, apoio psicossocial, água e saneamento. Esse curso amplia nossa visão e nos dá ferramentas para emergências e para o dia a dia. E o mais legal é aprender com a experiência de pessoas de outros países", completou.

