Política & Gestão

Trotes ao Samu: a falsa brincadeira que bloqueou milhares de socorros em Minas

Quem insistir em passar trote corre o risco de pagar multa estadual e pegar até três anos de cadeia

Publicada em 17 de junho, 2026.

Atualizada em 24 de agosto, às 14:00.

Trotes ao Samu: a falsa brincadeira que bloqueou milhares de socorros em Minas
Trotes ao Samu colocam vidas em risco e atrasam atendimentos de urgência em MinasSES Minas Gerais

Imagine que você está com pressa e alguém resolve segurar a porta do metrô lotado no horário de pico apenas para fazer uma piada. Na saúde pública, o impacto desse tipo de atitude é muito pior. Ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) sem ter uma emergência real congestiona as linhas de socorro e coloca vidas em risco em Minas Gerais.

Apenas em 2025, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) registrou cerca de 92 mil ligações classificadas como trotes ou chamadas indevidas no estado. O problema continuou no ano seguinte: em janeiro de 2026, das mais de 184 mil ligações recebidas pela rede estadual, aproximadamente 5% eram alarmes falsos.

O ponto-chave é que cada segundo perdido no telefone afeta quem realmente precisa. Quando a central atende, o funcionário inicia a regulação médica (protocolo de perguntas para identificar a gravidade do caso e direcionar o socorro) coletando dados como nome, endereço, idade e pontos de referência.

Na prática, enquanto a equipe tenta descobrir se a ligação é real, a ambulância deixa de ser enviada para atender uma parada cardíaca ou um acidente grave.

A secretária de Estado Adjunta de Saúde, Poliana Cardoso Lopes, explica que uma única linha ocupada impede o socorro imediato de quem está em perigo extremo. A supervisora de enfermagem das bases de Lagoa Santa e Confins, Brisa Emanuele, lembra que qualquer família pode precisar desse suporte, que deve ser acionado estritamente em urgências.

O que muda na prática

Para combater esse gargalo, o governo mineiro atua em duas frentes principais:

  • Ações educativas: O Samu realiza palestras em escolas e treinamentos em empresas, hospitais, clínicas, instituições religiosas e comunidades rurais para conscientizar sobre o uso correto do telefone 192.

  • Bloqueio tecnológico: Na macrorregião Centro-Sul, um sistema antitrote identifica números que fazem chamadas falsas repetidas. Ao ultrapassar o limite de 200 ligações indevidas, o contato é direcionado para um atendimento automatizado (sistema que exige confirmação para liberar a ligação humana).

  • Punição legal: Passar trote é crime pelo Código Penal Brasileiro, com pena de até três anos de detenção e multa. Em Minas, a Lei Estadual nº 22.452, de 2016, também cobra multa de quem acionar indevidamente o Samu, a Polícia Militar ou o Corpo de Bombeiros.

O diretor clínico da Central de Regulação de Divinópolis, Marco Antônio Expedito, e a auxiliar de regulação Jéssica Amaral recomendam manter a calma e responder o protocolo com precisão. No fim do dia, a segurança do serviço depende da consciência coletiva: manter a linha desimpedida garante que, se você ou sua família precisarem, a ajuda chegará a tempo.

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