Cigarro eletrônico: como o cerco do Rio virou exemplo mundial para a OMS
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 28 de agosto, às 04:00.

Você provavelmente já cruzou com alguém soprando uma nuvem com cheiro de menta em uma festa e pensou que era apenas fumaça passageira. Só que o avanço dos cigarros eletrônicos virou um problema real de saúde. Para conter essa onda, a cidade do Rio de Janeiro montou uma verdadeira operação de guerra que chamou a atenção do mundo.
A estratégia carioca funcionou como a clássica Lei Seca: uniu fiscalização rígida nas ruas, tecnologia e campanhas educativas para mudar o comportamento da população. O resultado foi tão positivo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um estudo de caso, em 29 de maio, transformando as ações do município em um modelo internacional às vésperas do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.
Mesmo com a proibição nacional da fabricação e venda desses aparelhos desde 2009 — regra atualizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na Resolução 855/2024 —, o mercado ilegal avança. No Rio, 263 mil pessoas já experimentaram o vape (termo popular para o cigarro eletrônico) e 76 mil usam o produto de forma regular, segundo dados do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico).
Para frear esses números, a SMS (Secretaria Municipal de Saúde) atacou em várias frentes. O trabalho uniu a saúde, o IVISA-Rio (Instituto Municipal de Vigilância Sanitária) e a SEOP (Secretaria Municipal de Ordem Pública) para fiscalizar comércios e ambientes fechados. Entre 2019 e setembro de 2023, os fiscais fizeram mais de 10.000 inspeções e aplicaram mais de 5.500 sanções (penalidades aplicadas a quem descumpre as regras). Entre 2023 e 2025, as vistorias conjuntas mobilizaram cerca de 400 agentes.
O que muda na prática
Na prática, a prefeitura carioca modernizou o combate ao fumo e provou que a integração entre tecnologia e saúde gera resultados reais para o cidadão.
- Fiscalização sem papel: Inspetores agora usam tablets para registrar infrações em tempo real, o que agiliza o processo e garante maior transparência.
- Tratamento gratuito: A prefeitura oferece suporte médico e terapêutico para quem quer parar de fumar em todas as 240 unidades de saúde da rede pública.
- Sinalização obrigatória: Desde março de 2025, a Resolução SMS Nº 6409 exige placas visíveis sobre a proibição do fumo em ambientes fechados.
- Alerta nas redes: Campanhas digitais veiculadas entre maio e setembro de 2025 alcançaram 451 mil pessoas, gerando 1,28 milhão de visualizações.
O ponto-chave é que, como explicou Cristian Morales, representante da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e da OMS no Brasil, ações locais firmes servem de exemplo para o Sistema Único de Saúde e para o mundo. Ou seja, a receita do Rio mostra que, com seriedade e tecnologia, é possível sim proteger as pessoas e combater o uso ilegal desses dispositivos.
