Leishmaniose: a estratégia mineira que atraiu a atenção da OMS
Publicada em 17 de junho, 2026.
Atualizada em 24 de agosto, às 18:00.

Proteger o animal de estimação contra doenças graves é uma prioridade em qualquer lar brasileiro. Na prática, impedir que o mosquito da leishmaniose pique o cachorro funciona exatamente como instalar uma tela mosquiteira na janela de casa: você barra a entrada do perigo antes que ele faça qualquer estrago na família.
Foi pensando nisso que Montes Claros virou referência internacional. Em 17 e 18 de junho, representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) visitaram o município para conhecer de perto o modelo de prevenção que começou em 2021, em parceria com o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). A comitiva internacional já havia se reunido em Brasília no dia 15 de junho.
O que muda na prática
A grande arma do município contra a leishmaniose visceral (infecção grave transmitida pelo mosquito-palha que afeta órgãos como o fígado e o baço) e a leishmaniose tegumentar (versão da doença que causa feridas na pele e nas mucosas) é o encoleiramento de cães.
As coleiras especiais agem como a nossa "tela mosquiteira" canina, afastando os insetos transmissores. Os dados mostram que a iniciativa funciona:
- Cães protegidos: Cerca de 22 mil animais receberam as coleiras nos últimos cinco anos em Montes Claros.
- Queda na transmissão: A taxa de cães infectados caiu de 5 em cada 10 animais testados para apenas 2 em cada 10.
- Expansão regional: O programa já atende mais de 34,7 mil cães em Jaíba, Monte Azul, Francisco Sá, Fruta de Leite e Grão Mogol.
- Próximo passo: O trabalho se estenderá para o município de Rubelita entre julho e agosto deste ano.
Para a população e para os hospitais públicos, a vantagem é clara: ao blindar os cães, impede-se que o ciclo da doença avance até as pessoas.
Diagnóstico ágil e mapeamento
A estratégia de Minas Gerais vai muito além das coleiras protetoras. A SES-MG também implantou unidades do Serviço de Atenção Especializada Ampliado (SAE) (unidades estruturadas para o tratamento descentralizado de doenças como tuberculose, hepatites e HIV) e distribuiu testes rápidos em hospitais regionais para agilizar o diagnóstico. Além disso, as equipes estaduais realizaram levantamentos entomológicos (estudos que mapeiam as espécies de mosquitos) em 700 municípios.
Ou seja, a união de forças entre governo, cientistas e comunidade mostra que fechar a janela para o mosquito protege toda a vizinhança.
