UTIs no Norte de Minas recebem R$ 7 milhões após explosão de gripes
Publicada em 28 de maio, 2026.
Atualizada em 1 de julho, às 06:04.

Sabe quando a previsão do tempo avisa que uma tempestade pesada está vindo e você corre para reforçar as telhas e garantir que não haverá goteiras? É exatamente esse movimento preventivo que os hospitais do Norte de Minas Gerais estão fazendo agora que os termômetros começaram a cair. Com o aumento repentino de infecções graves, a rede de saúde precisou expandir sua capacidade de atendimento às pressas.
O socorro financeiro para estruturar essa barreira de proteção acaba de ser liberado. O Ministério da Saúde destinou mais de R$ 7 milhões para financiar 40 UTIs pediátricas e 15 leitos de suporte ventilatório (aparelhos que auxiliam o paciente na respiração) nas cidades de Montes Claros e Janaúba.
A decisão partiu da CIB-SUS (Comissão Intergestores Bipartite do Sistema Único de Saúde) para socorrer hospitais locais altamente pressionados pela demanda. Em Montes Claros, a Santa Casa e o Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira vão ratear R$ 3,2 milhões para garantir o funcionamento de 20 UTIs infantis (dez para cada uma) ao longo de três meses. O dinheiro atende a uma demanda do município e sairá em três parcelas, seguindo as regras da Portaria 11.431, de 28 de maio.
Na outra ponta da região, em Janaúba, a instituição Fundajan vai contar com R$ 2,2 milhões para manter leitos pediátricos e de suporte respiratório. Ao mesmo tempo, o Hospital Regional recebe R$ 1,6 milhão com foco exclusivo na manutenção de 10 UTIs adultas.
Essa mobilização rápida tem justificativa nos dados. O monitoramento da SES-MG (Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais) apontou que, até 28 de maio, o Norte de Minas já acumulava 1.530 internações e 39 óbitos causados por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave, termo que define complicações severas de gripes e resfriados).
O perfil de quem mais precisa de internação na região é claro: o grupo de maior risco reúne 480 crianças de um a nove anos e 453 idosos acima de 60 anos.
O que muda na prática
O que muda é que os moradores passam a contar com atendimento especializado e aparelhos de respiração garantidos perto de casa, diminuindo a angústia de esperar por vagas de transferência. Para os gestores públicos, o repasse federal funciona como aquele respiro no orçamento, cobrindo os custos operacionais das UTIs durante os três meses mais frios e perigosos do ano.
- Verba liberada: Mais de R$ 7 milhões aplicados diretamente na saúde regional.
- Novos leitos: 40 UTIs pediátricas, 10 UTIs adultas e 15 leitos de suporte respiratório.
- Duração do repasse: Custeio assegurado por três meses de alta sazonalidade.
- Vacinação baixa: Apenas 39,11% do público prioritário tomou a vacina da gripe na região.
O ponto-chave é que as novas telhas no telhado ajudam muito, mas evitar que a água entre exige cuidado individual. Com menos de 40% de cobertura vacinal na área, a melhor prevenção para não precisar de uma vaga de UTI é atualizar a dose contra a gripe no posto de saúde mais próximo antes do inverno se consolidar.
