Acupuntura no SUS: médicos do Piauí são capacitados para tratar dor sem remédio
Publicada em 18 de junho, 2026.
Atualizada em 23 de agosto, às 08:01.
Sabe aquele clássico chazinho de horta que a avó prepara para resolver um mal-estar sem precisar correr para a farmácia de plantão? É exatamente essa lógica de cuidado simples e natural que a acupuntura está levando para as consultas de rotina do sistema público de saúde.
A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Ministério da Saúde, realizou nesta quinta-feira (18) mais uma etapa do curso Acupuntura para Médicos da Atenção Básica (AMAB).
O treinamento presencial ocorre no Hemopi, em Teresina, nos dias 18 e 19 de junho e 2 e 3 de julho. Ao todo, os profissionais cumprem uma carga horária de 160 horas para dominar a inserção e manipulação das agulhas.
Assim como o chazinho de horta evita que um desconforto doméstico vire um problema maior, essa técnica oriental funciona como uma barreira inicial. A capacitação foca em médicos da Estratégia Saúde da Família e de Medicina de Família e Comunidade — os primeiros a atender o cidadão nos postos.
O médico acupunturista e professor da UFSC, Li Shih Min, explica que a intenção é unir a Medicina Tradicional Chinesa à medicina contemporânea. Como as queixas mais comuns nos postos são dores crônicas e questões de saúde mental, as agulhas viram uma alternativa eficiente de tratamento inicial.
O médico Edmilson Marques, que também ministra as aulas, ressalta que a prática funciona como prevenção quaternária (estratégia para evitar tratamentos caros, exames desnecessários e o uso excessivo de medicamentos).
O que muda na prática
Para o paciente do SUS, o tratamento ganha agilidade e alívio rápido da dor sem a necessidade imediata de remédios. O ponto-chave para os hospitais e postos é a redução das filas para especialistas, além de diminuir o uso indiscriminado de analgésicos e ansiolíticos.
A coordenadora de Atenção Primária da Sesapi, Virginia Pinheiro, aponta que a ação consolida as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) (tratamentos que usam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais) e traz mais qualidade de vida ao piauiense.
- Público-alvo: Médicos da Estratégia Saúde da Família e de Família e Comunidade.
- Carga horária: Treinamento de 160 horas com foco em prática clínica.
- Locais e datas: Aulas presenciais no Hemopi, em Teresina, nos dias 18 e 19 de junho e 2 e 3 de julho.
- Principais indicações: Dores crônicas, saúde mental e sintomas sem diagnóstico definido.
No fim das contas, quem ganha é você. O SUS do Piauí ganha uma ferramenta que resolve problemas complexos de forma simples e humana, provando que a saúde pública pode ser tão acolhedora quanto aquele bom e velho chazinho caseiro.

