Libras na saúde pública: projeto do Pará vence prêmio nacional com atendimento inclusivo
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 29 de agosto, às 04:01.

Imagine a dificuldade de explicar uma dor física para um médico sem que ele fale o seu idioma. É como tentar pedir um pastel específico em uma feira barulhenta usando apenas mímica: o atendente tenta adivinhar, você tenta gesticular, mas a chance de sair com o pedido errado é enorme. Na saúde pública, essa barreira de comunicação gera insegurança e prejudica o atendimento de quem mais precisa.
Para mudar esse cenário, a capacitação contínua de funcionários em Libras (Língua Brasileira de Sinais) rendeu um prêmio nacional ao Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), no Pará. O complexo de saúde venceu o Prêmio Gestão Primme 2026 na noite de quinta-feira (28), em São Paulo. O Grupo Mídia organiza o evento para valorizar hospitais e entidades filantrópicas que criam soluções para complementar o SUS (Sistema Único de Saúde).
O projeto, batizado de "Libras em Serviço", funciona como o feirante atencioso que aprende a língua do cliente para entregar o pastel exato que ele pediu. A iniciativa reduz as barreiras de comunicação ao oferecer aulas teóricas e práticas de Libras para servidores de diferentes setores do complexo, garantindo um acolhimento seguro para os usuários e seus familiares.
O que muda na prática
Na prática, o paciente surdo ganha total autonomia para se comunicar desde a recepção até o consultório, sem depender de intermediários para traduzir suas dores.
- Público-alvo: Pessoas com deficiência física, visual, auditiva e intelectual atendidas no complexo da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
- Acesso ao serviço: O paciente precisa de encaminhamento de uma unidade de saúde, passa pela Central de Regulação municipal e chega ao Sistema de Regulação Estadual (SER) (órgão estadual que analisa o perfil de cada usuário).
- Foco da capacitação: Curso contínuo e modular de Libras para funcionários das áreas administrativa e assistencial do complexo.
O ponto-chave é que, quando um hospital se prepara para atender todo mundo sem barreiras, todo o sistema de saúde ganha eficiência. Humanizar o atendimento significa garantir que nenhum paciente saia da consulta sem entender as orientações médicas ou sem conseguir explicar o que sente.
