Saúde no Baixo Amazonas ganha reforço milionário para reduzir viagens a Belém
Publicada em 26 de maio, 2026.
Atualizada em 12 de setembro, às 22:00.

Imagine ter que pegar uma balsa e encarar horas de estrada toda vez que precisa comprar pão na padaria. Para quem mora no oeste do Pará, a busca por atendimento médico especializado parecia essa viagem sem fim. O morador precisava se deslocar até a capital para conseguir consultas simples ou exames complexos.
O que muda é que o Governo do Pará está descentralizando a saúde no Baixo Amazonas. A estratégia funciona como abrir mercearias completas nos bairros para evitar a ida ao hipermercado distante. O plano beneficia a população de 12 municípios da região com atendimento perto de casa.
Na prática, o ponto-chave é fortalecer a estrutura local. Em Santarém, a Policlínica Baixo Amazonas, inaugurada em abril, oferece consultas em 36 especialidades e exames de imagem e laboratoriais. Em pouco mais de um mês de funcionamento, a unidade já superou 2 mil atendimentos.
Anexo à policlínica, o Natea (Núcleo de Atenção aos Transtornos do Espectro Autista) atende até 150 pessoas por mês. O local oferece tratamento multiprofissional (acompanhamento com psicólogos e terapeutas de diversas especialidades), como o recebido pela paciente Emily Melissa, de 9 anos, que trata autismo e mutismo seletivo na própria região.
O que muda na prática
A descentralização distribui leitos, exames e novos hospitais por vários municípios:
- Atendimento regional: O Hospital Regional de Oriximiná Menino Jesus, inaugurado em outubro de 2024, atende a Calha Norte com 26 leitos de enfermaria e UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
- Diagnóstico rápido: O Hospital Público Regional do Baixo Amazonas (HRBA) recebeu uma máquina de ressonância magnética de R$ 5 milhões que realiza 450 exames mensais, além de uma nova sala de tomografia.
- Parceria privada: A Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública) investiu R$ 40 milhões na contratualização com a Unimed Oeste do Pará para usar a rede privada no atendimento de pacientes do SUS.
- Novas obras: O Hospital Regional Materno-Infantil de Santarém será entregue ainda este semestre com 121 leitos, junto com a reestruturação do CAPS III (Centro de Atenção Psicossocial).
O avanço também ocorre por meio de convênios municipais. Foram investidos R$ 5 milhões no hospital de Monte Alegre e R$ 4 milhões na reforma do Hospital Santo Antônio, em Alenquer. Cidades como Óbidos, Almeirim, Porto de Moz e Itaituba também passam por reformas hospitalares.
Para o morador do Baixo Amazonas, o resultado prático é mais tempo perto da família e menos horas de balsa na estrada da recuperação.
