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Sem maca e sem espéculo: o teste de HPV que a mulher faz sozinha chega aos EUA

Kit liberado pela FDA permite que a própria mulher colha a amostra e devolva pelo correio; no SUS, a autocoleta é prevista para casos específicos.

Fonte:
FDA

Publicada em Hoje.

Sem maca e sem espéculo: o teste de HPV que a mulher faz sozinha chega aos EUA

Deitar na maca, colocar o espéculo e esperar o exame acabar. Para muitas mulheres, esse momento é o motivo para adiar o preventivo. Nos Estados Unidos, a partir de 2027, ele deixa de ser obrigatório para parte delas.

A rede de laboratórios Quest Diagnostics anunciou na terça-feira (20) uma parceria com a fabricante Waters para distribuir no país um kit de autocoleta para o teste de HPV. O kit foi liberado para uso em casa em abril pela Food and Drug Administration (FDA), a agência americana que regula medicamentos e produtos de saúde.

Como funciona o teste?

O exame precisa ser pedido por um médico. A mulher recebe o kit, colhe a amostra sozinha com uma haste parecida com um cotonete e devolve pelo correio ou em um dos mais de 2 mil postos de atendimento da Quest. A análise é feita em laboratório, em equipamento automatizado.

O teste procura o papilomavírus humano (HPV), vírus ligado a quase todos os casos de câncer de colo do útero. Ele identifica separadamente seis tipos de alto risco do vírus, os HPV 16, 18, 31, 45, 51 e 52, e agrupa os demais em três conjuntos.

Essa separação ajuda o médico a decidir o próximo passo. Segundo as empresas, os tipos 16 e 18 ficaram menos comuns com a vacinação, e outros tipos de alto risco passaram a responder por uma parte maior dos casos, principalmente entre mulheres mais jovens.

Por que a autocoleta importa?

Segundo o vice-presidente de assuntos médicos da Waters, Jeff Andrews, cerca de 30% das mulheres que deveriam fazer o rastreamento nos Estados Unidos não fazem ou fazem menos do que o recomendado. Distância, custo, falta de tempo e medo do exame ginecológico estão entre os motivos citados pelas empresas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o teste de HPV como o método principal de rastreamento do câncer de colo do útero e admite que a amostra seja colhida pela própria mulher.

E no Brasil?

O Sistema Único de Saúde (SUS) começou em agosto de 2025 a substituir o papanicolau pelo teste de DNA-HPV, desenvolvido no Brasil pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, ligado à Fiocruz. O teste identifica 14 tipos do vírus.

Pelas diretrizes do Ministério da Saúde, o rastreamento vale para mulheres de 25 a 64 anos. Se o resultado for negativo, o exame é repetido a cada cinco anos, e não mais a cada três, como no papanicolau. A meta do ministério é levar o teste a todo o país até dezembro de 2026.

A diferença está na coleta. No SUS, ela continua sendo feita, na maioria dos casos, por um profissional de saúde, num exame parecido com o do papanicolau. As diretrizes preveem a autocoleta para mulheres com dificuldade de acesso aos serviços ou que resistem ao exame ginecológico.

O que fazer agora?

Quem tem entre 25 e 64 anos e está com o preventivo atrasado deve procurar a unidade básica de saúde. Lá dá para saber se o teste de DNA-HPV já chegou à cidade e quando fazer o próximo exame.

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