Política & Gestão

Tratamento contra o tabagismo gratuito avança no Paraná e chega a 336 cidades

Iniciativa estadual busca frear internações por problemas cardíacos oferecendo terapia e medicamentos sem custo na rede pública.

Publicada em 31 de maio, 2026.

Atualizada em 25 de agosto, às 12:00.

Tratamento contra o tabagismo gratuito avança no Paraná e chega a 336 cidades
Secretaria da Saúde

Parar de fumar ficou mais acessível no Paraná. O Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) expandiu a rede de atendimento e oferece suporte gratuito em 336 municípios do estado.

Deixar o cigarro para trás é como terminar um relacionamento tóxico: o início exige paciência para lidar com a saudade do hábito diário, mas a sensação de liberdade recuperada compensa cada passo do processo.

Entre setembro e dezembro de 2025, as equipes de saúde acompanharam 6.511 pessoas na jornada de abandonar a nicotina. Os dados estaduais revelam como essa busca por ajuda se divide na prática:

  • Perfil dos pacientes: Mulheres representam a maior procura com 4.014 atendimentos (58,22%), enquanto homens somam 2.881 participantes (41,78%).
  • Faixa etária: Adultos de 18 a 59 anos lideram a busca com 5.046 pacientes (73,18%), seguidos por maiores de 60 anos com 1.671 registros (24,24%) e menores de 18 anos com 178 pessoas (2,58%).
  • Estrutura de apoio: O suporte gratuito está ativo em 1.184 estabelecimentos de saúde do território paranaense.

O secretário de Estado da Saúde, César Neves, aponta que a meta é ampliar o acesso ao tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O acolhimento inclui a abordagem cognitivo-comportamental (método psicológico que ajuda a mudar hábitos e pensamentos ligados ao vício) de forma individual ou em grupo, além de apoio com adesivos de nicotina, pastilhas, gomas e bupropiona.

O cigarro cobra uma conta pesada do sistema cardiovascular. De janeiro a março deste ano, o Paraná registrou 13.491 internações por doenças cardiovasculares, contra 12.570 registradas no mesmo período de 2025.

O cardiologista Maurício Dallagrana, diretor clínico do Hospital Infantil Waldemar Monastier, alerta que o tabaco gera rigidez arterial (perda da elasticidade natural das artérias). Esse fator eleva a pressão e aumenta o risco de infarto. O especialista também chama atenção para os cigarros eletrônicos, os famosos vapes ou pods, que entregam doses perigosas de substâncias nocivas sob a falsa impressão de segurança.

Quem colocou um ponto final nessa relação abusiva com o cigarro foi a aposentada Roszangela Abbud, hoje com 66 anos. Ela fumou da adolescência até os 56 anos, quando decidiu parar após enfrentar cansaço extremo e hipertensão. Hoje, ela celebra a disposição para fazer atividades físicas e passear.

O que muda na prática

O tratamento gratuito capilarizado no Paraná facilita a decisão de buscar apoio médico antes que os danos ao coração se transformem em emergências hospitalares. Quem deseja encerrar esse ciclo prejudicial pode dar o primeiro passo procurando a Unidade Básica de Saúde mais próxima de casa.

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