Política & Gestão

Transplante de órgãos bate recorde histórico em Sergipe após reorganização da fila

O crescimento no número de doadores agiliza cirurgias complexas e diminui o tempo de espera na rede pública de Sergipe

Publicada em 29 de maio, 2026.

Atualizada em 1 de setembro, às 04:01.

Transplante de órgãos bate recorde histórico em Sergipe após reorganização da fila
Saúde

Imagine entrar em uma padaria cheia de gente na hora do pão quente. Se cada cliente tentar a sorte direto no balcão de forma confusa, ninguém se entende. Mas, quando um painel eletrônico organiza as senhas, o atendimento flui de forma rápida e justa. Na prática, é esse tipo de organização que começou a acelerar a fila de quem precisa de uma cirurgia de transplante em Sergipe.

O estado registrou a marca de 17 transplantes de rim nos primeiros quatro meses de 2026. Para entender o tamanho do salto, entre os anos de 1986 e 2015 o território sergipano realizava uma média tímida de apenas quatro cirurgias desse tipo por ano.

O motor que faz esse sistema funcionar de maneira coordenada é a Central Estadual de Transplantes, ligada à Secretaria de Estado da Saúde (SES), que completa 26 anos de existência. Antes dela, cada equipe médica buscava doadores por conta própria, o que descentralizava o processo. Hoje, a distribuição respeita regras técnicas transparentes, como compatibilidade genética e tempo de espera.

O que muda na prática

A maior eficiência em conseguir órgãos altera o dia a dia dos hospitais e transforma a realidade de pacientes como José Laureano dos Santos. Morador de Lagarto, ele lidava desde a infância com as dores da estenose renal (condição que compromete o funcionamento dos rins). Após passar anos em sessões de hemodiálise (procedimento para filtrar o sangue), ele entrou na lista e conseguiu o transplante em apenas uma semana no Hospital Cirurgia.

O balanço recente de captações demonstra o novo ritmo do atendimento na saúde pública:

  • Doadores ativos: 25 doadores registrados entre 1º de janeiro e 22 de maio de 2026, número superior aos 20 registrados no mesmo período do ano anterior
  • Órgãos captados: 3 corações, 34 rins e 16 fígados obtidos em 2026, contra 1 coração, 19 rins e 11 fígados em 2025
  • Estrutura de apoio: Fortalecimento da Organização de Procura de Órgãos (OPO) e do Banco de Olhos de Sergipe (Bose) para dar suporte médico

O ponto-chave para manter esse fluxo ativo é a decisão dos familiares, já que a lei brasileira exige a autorização de cônjuges ou parentes de até segundo grau para a doação ocorrer.

De acordo com o coordenador da central estadual, Benito Fernandez, o principal obstáculo atual é a conscientização, trabalhada em campanhas como "Educar para Doar", "É Dando que se Recebe" e "Caminhando Juntos". Afinal, a probabilidade de uma pessoa precisar de um órgão ao longo da vida é bem maior do que a de se tornar uma doadora.

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