Hepatite A em João Pessoa: chuvas aumentam risco de contaminação invisível pela água
Publicada em 29 de maio, 2026.
Atualizada em 31 de agosto, às 18:00.

Quem vive em cidade grande sabe bem: basta cair um temporal daqueles para as ruas virarem rios e o trânsito parar. Mas o verdadeiro perigo das enchentes não vai embora quando a enxurrada escoa.
O risco de contrair hepatite A (uma infecção viral transmitida por via fecal-oral) cresce bastante após períodos de chuvas intensas e alagamentos. A Gerência de Vigilância Epidemiológica de João Pessoa emitiu um alerta para que a população redobre os cuidados de higiene.
Pense no vírus como aquela infiltração chata na parede de casa depois de uma tempestade. O céu limpa, o sol aparece, mas a umidade continua agindo em silêncio por dentro da estrutura até o estrago aparecer na pintura semanas depois.
É exatamente assim que o vírus funciona. Ele consegue sobreviver por longos períodos no ambiente e os primeiros sintomas costumam surgir apenas de 10 a 50 dias após o contato com a sujeira. Na prática, a água da chuva se mistura ao esgoto e contamina poços, rios, alimentos e utensílios domésticos.
Embora João Pessoa não tenha registrado nenhum caso da doença este ano, a gerente de Vigilância Epidemiológica, Danielle Melo, reforça que o cuidado deve ser contínuo. Ou seja, mesmo quando a água baixa, o perigo biológico ainda permanece ativo nas superfícies.
O que muda na prática
Para evitar que a infiltração da doença se instale no seu corpo, a prevenção ativa é o único caminho seguro. O ponto-chave é evitar o contato direto com a água de alagamentos, higienizar alimentos com solução clorada e consumir apenas água tratada.
Fique atento aos principais sinais de alerta que indicam a contaminação:
- Sintomas visíveis: pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura e fezes esbranquiçadas
- Sintomas gerais: febre, náuseas, vômitos, mal-estar e perda de apetite
Ao notar qualquer um desses sinais, principalmente após o contato com áreas alagadas, procure a unidade de saúde mais próxima imediatamente.
Proteção no postinho de saúde
A principal ferramenta de bloqueio contra o vírus é a vacina. Ela faz parte do Calendário Nacional de Vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) e está disponível de forma gratuita.
- Público-alvo infantil: dose única recomendada para crianças aos 15 meses de idade
- Grupos especiais: duas doses disponíveis no Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE) para pessoas com condições específicas, como portadores de hepatites crônicas, HIV/aids e imunodepressão
