Mortalidade materna recua em Montes Claros, mas números ainda desafiam metas
Publicada em 28 de maio, 2026.
Atualizada em 2 de setembro, às 04:00.

Fazer uma viagem de carro sem passar pelo mecânico para calibrar os pneus e checar o óleo é um risco que ninguém quer correr na estrada. O pré-natal na gestação funciona exatamente como essa revisão preventiva: ele detecta pequenos problemas antes que eles virem um acidente grave. No Norte de Minas Gerais, essa checagem antes do parto ganhou força e salvou vidas.
A taxa de mortalidade materna — indicador que mede os óbitos de grávidas ou de mulheres até 42 dias após o término da gestação — caiu 14,85% na região de Montes Claros entre 2022 e 2023. O índice recuou de 58,59% para 43,74%, conforme dados da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros. Apesar do avanço, os números regionais ainda buscam alcançar a meta recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de até 30 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos.
Na prática, o desafio vai além dos consultórios e expõe a desigualdade social. Das mortes registradas pelo painel da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que somaram 8 casos em 2022 e 6 casos em 2023, a maioria tem cor: 92,86% das notificações foram de mulheres pardas e 7,1% de mulheres brancas.
O que muda na prática
Para tentar reverter essa realidade, o plano estadual e a rede pública reforçaram a estrutura de acolhimento em várias cidades do Norte mineiro, descentralizando os serviços especializados:
- Estrutura de atendimento: cobertura com 494 equipes de atenção primária distribuídas por 54 municípios.
- Cuidado especializado: suporte dos Centros Estaduais de Atenção Especializada (CEAEs) em Bocaiúva, Francisco Sá, Janaúba, Pirapora e Taiobeiras, além da Unidade de Atenção Especializada (UAE) de Montes Claros.
- Foco nas emergências: oficinas do projeto "Zero Morte Materna por Hemorragia" preparam equipes nas microrregiões de Janaúba e Taiobeiras.
O ponto-chave é que 9 em cada 10 mortes maternas são consideradas evitáveis pela OMS. O controle rígido da pré-eclâmpsia (hipertensão na gravidez), o diagnóstico rápido de hemorragias pós-parto e a identificação do acretismo placentário (quando a placenta se fixa de forma anormalmente profunda no útero) são as principais ferramentas para reduzir esses índices e garantir um parto seguro.
