Quadrilha Xameguinho 2026: músicas clássicas viram palco e fazem crianças brilharem
Publicada em 17 de junho, 2026.
Atualizada em 19 de julho, às 04:00.

Na Praça Fábio Marques Paracat, o São João de Boa Vista ganhou um coração de infância com duas apresentações que misturaram música, criatividade e inclusão no tablado do Boa Vista Junina 2026. Foi na noite desta terça-feira, 16, que a quadrilha Xameguinho (grupo infantil) e a do projeto social Conviver levaram emoção para o público.
A Xameguinho, que nasceu no ano 2000 no bairro Cidade Satélite, fez o tablado virar um tipo de “caixa de memórias” ao som de temas que muita gente já ouviu em casa. O grupo trouxe o tema “As canções dos nossos pais” e apresentou músicas como “Olha pro Céu”, eternizada por Elba Ramalho, “Cowboy Fora da Lei”, “O Carimbador Maluco” (de Raul Seixas) e ainda clássicos de Mamonas Assassinas e Legião Urbana.
Na prática, é como abrir um álbum antigo e perceber que a trilha sonora continua atual: as crianças dançam, o público reconhece e todo mundo participa do mesmo clima de festa. O coordenador-geral, Sabá Moura, disse que dedica quase 40 anos à cultura junina e destacou que trabalhar com crianças traz uma emoção própria.
“Essa quadrilha é a primeira que cantou no tablado… e eu acho interessante quando chegamos com algum tipo de inovação. Nós utilizamos Raul, Mamonas, Legião. Lógico que dá um trabalho para regravar, você tem que ter um investimento, mas o resultado vale tudo”, afirmou Sabá.
Aos 12 anos, Nicoly Vitória contou que dança desde 2023 e que os ensaios são bem corridos. Ela descreveu o nervosismo antes de subir ao tablado e, ao mesmo tempo, a alegria de estar ali: “É bacana a experiência de estar aqui, dançar para o público, interagir com os colegas”.
O que muda na prática
A noite também mostrou como a dança pode acolher e ensinar junto. A quadrilha do Projeto Social Conviver, da Prefeitura de Boa Vista, apresentou uma história com 23 crianças, ao som de “Festa do Estica e Puxa” e “Lua de Cristal”, da Xuxa.
O educador social Lucas Sampaio falou da temática do espetáculo, centrada em amizade e compaixão com o próximo. Ele explicou que a narrativa começa com um mal-entendido que isola um personagem e que a “exclusão” acaba revelando que não era real.
-
Inclusão: a proposta do Conviver aparece na participação de 23 crianças no espetáculo
-
Tema: amizade e compaixão guiam a história contada no tablado
-
Mensagem: o ponto-chave é a virada em que o personagem “vilão” acaba entendendo o que sentia
-
Impacto para quem assiste: a apresentação leva o público a refletir sobre empatia e pertencimento
Com a coroa de rei do Conviver, Victor Braz, de 14 anos, disse que é o segundo ano dele dançando e que os ensaios ficam mais leves quando as luzes do tablado acendem. Já Ana Beatriz Pereira, também com 14 anos e no projeto desde 2021, lembrou que já participou no ano passado e contou que gosta do que a dança representa: sua “coisa favorita”.
Ou seja: quando o tablado vira encontro de gerações, todo mundo sai com uma sensação parecida com a de reencontrar alguém querido. E daí pra mim? É ver que o São João, em Boa Vista, também ensina coragem, empatia e memória em passos.
