Bem-Estar

Desinstitucionalização em Rondônia: pacientes ganham residências terapêuticas

A desinstitucionalização psiquiátrica é um processo que substitui as internações em hospitais psiquiátricos de longa permanência.

Publicada em 26 de junho, 2026.

Atualizada em 10 de julho, às 10:00.

Desinstitucionalização em Rondônia: pacientes ganham residências terapêuticas
A casa conta com dormitórios, cozinha completa, área para descanso com redes, sala de estar e uma área aberta com jardimSES Rondônia (SESAU)

Se a ideia de cuidar em liberdade já passou pela sua cabeça, a notícia em Rondônia coloca isso no papel. Em junho, o governo do estado começou processos de desinstitucionalização e desospitalização de pessoas em extrema vulnerabilidade atendidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), que antes estavam internadas no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro ou em casa de custódia no estado.

O resultado foi direto: 9 pacientes que estavam acolhidos provisoriamente no serviço de acolhimento Frei Damião e no hospital ganharam uma residência terapêutica. A proposta é que eles vivam em um ambiente pensado para o cuidado e a convivência, com dormitórios, cozinha completa, área de descanso com redes, sala de estar e um espaço aberto com jardim.

Pensa nisso como trocar o “quarto de espera” por uma casa com rotina: ainda existe acompanhamento, mas o foco deixa de ser contenção e passa a ser vida no dia a dia. E aí entram os objetivos citados pelo governo: moradia, reinserção social e acompanhamento para quem ficou por longos períodos de internação.

A psicóloga e coordenadora Estadual de Saúde Mental, Patrícia Nienow, resume a mudança como um novo caminho. Segundo ela, não é só mudar de endereço: a transição representa uma troca de lógica, saindo de uma exclusão para uma inclusão, com direito de viver em sociedade, com suporte adequado e também com liberdade e dignidade.

O governador Marcos Rocha também tratou o tema como ampliação de acesso a um cuidado mais humanizado, ligando a desinstitucionalização à política estadual de saúde mental. O ponto, na prática, é dar condições para que os pacientes tenham qualidade de vida e inclusão social, com acompanhamento.

O que muda na prática

A desinstitucionalização psiquiátrica, na definição usada pela matéria, é um processo que substitui internações em hospitais psiquiátricos de longa permanência por cuidados em liberdade e reinserção social. E o cuidado não fica só na “alta hospitalar”: envolve mudança de paradigma e busca garantir cidadania, autonomia e convivência familiar e comunitária.

De acordo com o secretário de Estado da Saúde (Sesau), Edilton Oliveira, a lógica é assegurar tratamento humanizado e oportunidades de reconstrução da vida, com acompanhamento multiprofissional em um ambiente acolhedor.

  • Público-alvo: pessoas em extrema vulnerabilidade atendidas pelo SUS
  • O que substitui: internações de longa permanência por cuidado em liberdade
  • Acompanhamento: equipe multiprofissional em ambiente acolhedor
  • Resultado esperado: autonomia e reinserção social

Ou seja, para quem sai de longos períodos de internação, o objetivo é que o tratamento acompanhe a vida fora do hospital. E daí pra mim? É saber que política pública pode virar casa, rotina e continuidade do cuidado, em vez de ficar só na porta do hospital.

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